Os preços do gás natural na Europa atingiram nesta terça-feira um novo máximo de vários anos, com o contrato de referência Dutch TTF a ultrapassar a fasquia dos 90 euros por megawatt-hora (MWh). Este valor representa o nível mais alto registado desde dezembro de 2022, agravando a pressão sobre as economias europeias às portas do inverno.
O mercado energético tem estado sob forte tensão nas últimas semanas. A escalada atual é impulsionada, sobretudo, pelos baixos níveis de armazenamento de gás na União Europeia e pelo impacto severo das tensões geopolíticas no Médio Oriente, que continuam a condicionar o tráfego de navios metaneiros no Estreito de Ormuz.
No início deste ano, antes do início do conflito no Médio Oriente e do fecho do Estreito de Ormuz no final de fevereiro, os preços oscilavam entre os 27 e os 30 euros. Desde então, a cotação disparou mais de 210%.

Especialistas do setor alertam que, caso o inverno registe temperaturas muito baixas, os preços poderão quebrar a barreira psicológica dos 100 euros/MWh. Este aumento drástico já se está a refletir nos custos da eletricidade e reaviva os receios de uma nova vaga de inflação com origem na crise energética, como já aconteceu em 2022, no ano em que começou a invasão russa da Ucrânia.
As previsões apontam para que as reservas europeias estejam apenas entre 75% e 78% da capacidade a 1 de novembro, cerca de dez pontos percentuais abaixo da média dos últimos cinco anos. Mesmo com temperaturas dentro da normalidade, os depósitos do noroeste da Europa poderão chegar a abril com apenas 20% de gás.
Yuriy Onyshkiv, analista da LSEG citado pela Reuters, alerta que a pressão poderá prolongar-se até ao verão de 2027, dificultando o reabastecimento para o inverno seguinte. Já Moutaz Altaghlibi, economista da ABN Amro, considera que não existe uma ameaça imediata de falta de gás, mas falta uma margem de segurança suficiente para absorver novas perturbações.
Um inverno particularmente frio poderá reduzir as reservas para apenas 10% a 15%, um nível considerado crítico para a campanha de reposição seguinte. Embora os analistas não antecipem, para já, uma repetição dos máximos da crise energética de 2022, os preços poderão ultrapassar os 100 euros por megawatt-hora, mais 25% do que os níveis atuais.
Petróleo salta 2% para mais de 111 dólares por barril, está próximo dos máximos de maio
Também nesta terça-feira, os preços do petróleo estão a subir mais de 2% para 111,69 dólares por barril, aproximando-se dos máximos de maio.
Este é o valor dos contratos futuros do petróleo Brent, que servem de referência para as importações portuguesas. Por outro lado, o petróleo WTI dos EUA está a subir mais de 5%, com os analistas a justificarem o movimento com os receios de oferta insuficiente dado o arrastar do conflito no Médio Oriente.