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Tendas retiradas do Rossio e da Praça D. João I. As imagens da intervenção da PSP em Lisboa e no Porto

Na capital, após avisos da polícia, as tendas foram retiradas, tendo sido detidas mais de 50 pessoas. No Porto, os manifestantes levaram os bens e sairam sem confrontos. Prometem voltar esta tarde.

Carlos Diogo Santos
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A polícia chegou na madrugada desta terça-feira ao Rossio, em Lisboa, e à Praça D. João I, no Porto, para desmobilizar os manifestantes que ali pernoitaram no âmbito de uma ação para exigir o direito à habitação. Na capital verificaram-se confrontos com a polícia. A PSP confirmou que foram detidas 55 pessoas. Já no Porto os manifestantes acataram as ordens, pegando nos seus bens e abandonando o local. Em ambas as cidades prometeram regressar para mais protestos.

“Tendo em conta a resistência que era oferecida, houve necessidade do uso da força apenas para fazer a limpeza da praça, retirar as estruturas do acampamento e, naqueles cidadãos que resistiram mais ativamente, consumar as detenções, proceder às algemagens e retirá-los para a viatura policial”, disse o porta-voz da PSP após as operações.

O Ministério da Administração Interna elogiou, entretanto, o “profissionalismo” dos agentes, destacando que as autoridades privilegiaram o diálogo “até ao limite”.

https://observador.pt/2026/10/20/acampadas-mai-destaca-profissionalismo-da-psp-que-privilegiou-dialogo-ate-ao-limite-psp-faz-55-detencoes-em-lisboa/

PSP detém 55 pessoas em Lisboa após resistência à desmobilização do protesto

Em Lisboa, após vários avisos das autoridades para que os membros da chamada Acampada de Lisboa pela Habitação desmobilizassem, os elementos da Unidade Especial de Polícia começaram a retirar os manifestantes, que entretanto tinham formado um cordão humano.

Registaram-se confrontos com os participantes, que resistiram à intervenção. Vários elementos do movimento atiraram objetos contra a polícia, que, segundo testemunharam os jornalistas do Observador no local, recorreu ao uso dos bastões. Em conferência de imprensa esta manhã, o porta-voz da PSP, Sérgio Soares, rejeitou que os bastões tenham sido utilizados. Questionado sobre o assunto pelo Observador, a PSP mantém que não tem registo de situações em que o bastão tenha sido utilizado. “Não descartamos que possa ter sido usado em momentos muito cirúrgicos, mas de forma generalizada o que houve foi o uso do escudo policial, de forma muito calma, adequada, progressiva”.

https://www.youtube.com/shorts/clF1-_CFtww

A Unidade Especial de Polícia acabou por expulsar todos os manifestantes — e também jornalistas e populares — que estavam na praça do Rossio. As tendas foram entretanto retiradas. Quem ali estava acampado foi reunir-se junto à Praça da Figueira. A PSP bloqueou várias ruas para impedir o regresso ao Rossio.

No total foram detidas 55 pessoas e duas ficaram feridas, revelou a PSP em comunicado. Num momento de maior tensão, captado em vídeo pelo Observador, vê-se um agente da PSP a empurrar um manifestante algemado. No instante seguinte vários colegas aproximam-se para o afastar do detido.

https://www.youtube.com/shorts/sHj3iYU7RKo

Já depois da ação policial, numa Assembleia Popular improvisada na Praça da Figueira, os manifestantes tomaram a decisão de desmobilizar por agora e de voltar aos protestos ao final do dia. A estratégia foi aprovada com uma maioria expressiva de apoio.

“Hoje vamos decidir se voltamos a montar tendas”, afirmou a porta-voz do movimento Acampada de Lisboa aos jornalistas. Priscila Valadão descreveu que a carga policial foi “muito agressiva”. “As tendas foram praticamente arrastadas com pessoas dormindo, as pessoas tiveram de se segurar para não cair”, afirmou. “O cordão humano foi tão bonito e tão forte que a polícia demorou muito tempo a furar”, acrescentou.

A porta-voz afirmou ainda que neste momento a prioridade é saber onde estão os detidos e recuperar os pertences, que foram “roubados pela polícia e pela Câmara Municipal de Lisboa”.

Manifestantes no Porto obedecem à polícia e retiram tendas

No Porto, após avisos das autoridades, os manifestantes acataram as ordens e começaram a retirar-se, depois de num primeiro momento terem formado um cordão humano. Não se verificou, assim, uma intervenção policial.

Depois de abandonarem a zona principal da Praça D. João I, algumas dezenas de manifestantes ainda se mostraram em novo cordão humano ao cimo das escadas, numa das laterais da praça. A presença policial manteve-se, mas não houve qualquer intervenção para forçar a saída dos manifestantes. Os elementos que participavam no protesto foram saindo e levando tendas e sacos com roupas e outros bens à medida que desimpediam a praça.

Fonte da PSP garantiu ao Observador que não houve detidos durante a operação policial que resultou na retirada de todas as tendas e manifestantes da Praça D. João I. Enquanto eram colocadas grades a vedar o acesso à praça, a mesma fonte explicou que não há previsão para a retirada do gradeamento.

O presidente da Câmara Municipal do Porto sublinhou esta terça-feira que “a normalidade democrática está reposta” na cidade. Em declarações aos jornalistas após a retirada dos manifestantes, Pedro Duarte descreveu que “correu tudo dentro da normalidade, o que deve ser saudado”.

O autarca garantiu que o executivo municipal se mantém disponível para ouvir os manifestantes, “dentro de um quadro de normalidade e democracia”. “Não contribuo para circos mediáticos nem para manobras de diversão que alguns extremistas mais radicais que, eventualmente, possam estar a liderar este movimento queiram estar a deturpar uma causa justa”, acrescentou.

“Atuação foi calma, proporcional, adequada, sem uso do bastão policial”

O porta-voz da PSP, Sérgio Soares, rejeitou quaisquer excessos na desocupação da acampada no Rossio, assegurando que “a atuação foi calma, proporcional, adequada, sem uso do bastão policial” e que “não houve qualquer carga policial”.

Questionado sobre as críticas à intervenção, Sérgio Soares rejeitou quaisquer excessos na desocupação da acampada no Rossio. Remeteu para a cobertura televisiva e dos repórteres no local, afirmando que “as imagens são claras”.

Segundo Sérgio Soares, os manifestantes de ambas as praças “foram informados de que deviam desocupar e abandonar aqueles locais”. “No Porto, os manifestantes acataram as nossas indicações, pediram-nos mais algum tempo para recolher os seus pertences e a PSP deu o tempo necessário. Não houve necessidade de uma intervenção coerciva da parte da PSP [no Porto]”, explicou o porta-voz.

Pelo contrário, o responsável explicou que no Rossio “essa indicação não foi acatada”, o que “obrigou a uma intervenção policial”. “Houve alguma resistência quer passiva quer ativa e, nessa sequência, houve a efetivação de 55 detenções por desobediência”, referiu ainda.

Convocados novos protestos para as 19h

Os movimentos acampada de Lisboa e do Porto já anunciaram novos protestos para esta terça-feira. Os grupos estão a prever reunir-se novamente pelas 19h nas praças D. Pedro IV e D. João I.

“Como decidimos em assembleia, a partir de hoje, todos os dias às 19h00, protesto contra os despejos e pelo direito à habitação!”, lê-se numa publicação do movimento de Lisboa.

Expressando “completa solidariedade” com os manifestantes de Lisboa, a acampada do Porto pela habitação apela a um novo protesto também às 19h.