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Air China organiza voo extraordinário para retirar passageiros retidos em Cuba

Representação diplomática chinesa alertou para alterações frequentes de horários e cancelamentos na rota. Escassez de combustível para aviões em Havana dificulta ligação a Pequim desde fevereiro.

Agência Lusa
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A companhia aérea Air China organizou um voo extraordinário para retirar dezenas de passageiros retidos em Cuba devido a sucessivos cancelamentos, com a ilha a enfrentar uma crise energética agravada pelo embargo petrolífero norte-americano.

Segundo o jornal de Hong Kong South China Morning Post, o voo adicional estava previsto para segunda-feira à noite, depois de várias semanas de perturbações na ligação entre Pequim e Havana, com escala em Madrid, operada duas vezes por semana pela transportadora chinesa.

A embaixada da China em Cuba anunciou no domingo que o voo CA590 se destinava aos passageiros cujos voos regulares CA866 tinham sido cancelados antes de 10 de outubro.

A partida estava prevista para as 22h30 de segunda-feira (03h30 desta terça-feira em Lisboa), com um número limitado de lugares disponíveis.

A representação diplomática chinesa alertou, em 10 de outubro, para alterações frequentes de horários e cancelamentos temporários na rota por “razões técnicas”, sem fornecer mais pormenores.

A operação da ligação tornou-se particularmente difícil desde fevereiro, quando os aeroportos cubanos ficaram sem combustível para aviões.

Segundo avisos oficiais, a escassez afeta dez aeroportos do país, incluindo o de Havana, e deverá prolongar-se até novembro.

Impossibilitada de reabastecer na capital cubana, a Air China passou a efetuar, desde março, uma escala em Nassau, nas Bahamas, no trajeto de regresso a Madrid, segundo o órgão de comunicação social independente cubano 14ymedio.

Um passageiro cujo voo foi cancelado em 10 de outubro afirmou ao 14ymedio que funcionários da companhia, no aeroporto de Madrid-Barajas, atribuíram a situação a obras numa das pistas de Nassau.

O aeroporto das Bahamas iniciou em agosto a reabilitação de uma das suas duas pistas, com conclusão prevista para 31 de outubro.

As perturbações têm afetado sobretudo os cubanos residentes em Espanha, que recorrem frequentemente à Air China devido às tarifas mais baixas do que as praticadas pela Air Europa, a única outra companhia que assegura voos diretos entre Madrid e Havana.

A transportadora chinesa retomou a ligação em maio de 2024 e dispõe de direitos de tráfego que lhe permitem comercializar bilhetes apenas para o percurso entre Madrid e Havana.

Passageiros retidos em Madrid relataram esperas superiores a 15 horas no aeroporto, com pouca informação, e dificuldades em obter reembolsos ou indemnizações de 600 euros prometidas pela companhia.

A Air China é uma das poucas transportadoras estrangeiras que continuam a operar em Cuba, depois de pelo menos 11 companhias, incluindo a Air Canada, a Air France e a Turkish Airlines, terem suspendido voos este ano devido ao agravamento da crise energética.

A crise intensificou-se em janeiro, quando os Estados Unidos interromperam os fornecimentos de petróleo da Venezuela a Cuba, após a captura do líder venezuelano Nicolás Maduro.

No mesmo mês, o Presidente norte-americano, Donald Trump, assinou uma ordem executiva que classificou Cuba como uma “ameaça invulgar e extraordinária” para os Estados Unidos.

As restrições agravaram as dificuldades económicas da ilha, cujo sistema elétrico sofreu um colapso total em setembro, deixando milhões de pessoas sem eletricidade.

Havana estima que o embargo norte-americano tenha causado prejuízos de 8,1 mil milhões de dólares (mais de 7 mil milhões de euros) entre março de 2025 e fevereiro de 2026, sem incluir os efeitos das restrições energéticas.

Em agosto, peritos das Nações Unidas alertaram para o risco crescente de surtos de doenças no país.

Em setembro, perante a Assembleia Geral da ONU, Trump afirmou que o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, estava envolvido em negociações aprofundadas com Cuba, embora Havana não tenha comunicado quaisquer progressos.

O Presidente norte-americano classificou ainda Cuba como um Estado falhado que “vai cair”.