Uma deputada federal independente da Austrália perdeu uma perna depois de ter sido atropelada por um homem, já detido, com ligações a campanhas ambientalistas contra o abate de árvores.
Helen Haines continua em estado crítico no hospital Alfred, em Melbourne, para onde foi levada de helicóptero após o atropelamento, na segunda-feira, em Wangaratta, no estado de Victoria, no sudeste da Austrália.
https://observador.pt/2026/10/19/deputada-australiana-em-estado-critico-apos-ser-atropelada-equipa-antiterrorismo-investiga-caso/
Durante a cirurgia a que foi submetida, a deputada de 65 anos perdeu uma perna, segundo fontes não identificadas, citadas pela emissora pública australiana ABC.
A polícia de Victoria, que disse acreditar que o atropelamento foi supostamente deliberado, deteve o condutor do automóvel de 43 anos de idade.
O homem é residente na localidade rural de Tarrawingee, perto de Wangaratta, foi membro ativo do grupo ambientalista Save Our Strathbogie Forest (“Salvemos a Floresta de Strathbogie”), que se opõe ao corte de árvores, embora não mantivesse contacto com o grupo desde a pandemia, referiu a ABC.
Desde 2019, Helen Haines tem concentrado a sua ação parlamentar na melhoria dos serviços de saúde regionais, no acesso à habitação, na ação climática e na transparência institucional. Em 2022, ela defendeu ainda, perante o Parlamento, o fim gradual do abate de florestas nativas e a transição para uma indústria florestal baseada nas plantações.
O ministro do Interior, Tony Burke, afirmou esta segunda-feira que, de acordo com os depoimentos recolhidos, o condutor fez uma manobra, prensou Haines contra o próprio veículo, engrenou a marcha-atrás e voltou a atropelá-la.
Uma testemunha no local, identificada pelos meios de comunicação locais como Ricky Jefferies, interveio para retirar o condutor do veículo e contê-lo até à chegada da polícia. Segundo o relato, o homem trazia consigo uma faca, que foi encontrada e apreendida pelos agentes.
Até ao momento, as autoridades não confirmaram o motivo do ataque nem se o mesmo esteve relacionado com a atividade política da deputada.
Na segunda-feira, o primeiro-ministro da Austrália, Anthony Albanese, afirmou que a equipa nacional de contraterrorismo, que integra forças policiais e agências de informações, está a conduzir a investigação.
“Não foi um acidente. Ao que tudo indica, tratou-se de um ato deliberado. Ainda não sabemos qual foi a motivação”, disse Albanese à ABC.
O episódio reacendeu as preocupações sobre a segurança dos parlamentares australianos, num país onde os políticos mantêm historicamente uma grande proximidade com o público e circulam habitualmente sem a presença de equipas de segurança.
No entanto, têm aumentado as ameaças públicas contra as autoridades e governantes.
A comissária da Polícia Federal Australiana, Krissy Barrett, afirmou em 2025 que as ameaças contra os parlamentares duplicaram nos últimos três anos.
Os dados policiais indicaram mais de mil ameaças deste tipo contra políticos no ano fiscal de 2025-2026, declarou na segunda-feira o ministro Tony Burke.