A Procuradoria da Flórida e o Ministério Público estadual emitiram uma ordem de prisão para Raúl Castro, ex-Presidente de Cuba, acusado de “associação criminosa para a prática de homicídio qualificado”, anuncia o procurador-geral estadual, James Uthmeier, em comunicado.
“Raúl Castro ordenou o assassinato de quatro floridianos a sangue frio, e a Flórida nunca vai parar de perseguir a responsabilidade por esta conspiração comunista”, afirma James Uthmeier. “Os espiões do regime de Castro operavam nas nossas comunidades, davam informações secretas a Havana e ajudavam a colocar pilotos civis na mira dos [caças] MiGs cubanos”, acrescenta.
O mandado contra Raúl Castro foi emitido depois de Uthmeier, no ano passado, ter ordenado a reabertura da investigação sobre o envolvimento de Castro num ataque que matou quatro pessoas, quando ele era então ministro das Forças Armadas Revolucionárias.
Em maio, Castro foi formalmente acusado de ter ordenado o abate de dois aviões civis, a 24 de fevereiro de 1996, perto da costa cubana, pertencentes ao grupo de ativistas no exílio “Hermanos al Rescate”, que estavam a procurar e tentar ajudar cubanos a fugir para os Estados Unidos. Quatro pessoas morreram.
Esta segunda-feira, foi também acusado de associação criminosa para a prática de homicídio qualificado e de ter alegadamente instruído espiões a infiltrarem-se no grupo de cubanos exilados.
À data dos acontecimentos, Raúl Castro era ministro das Forças Armadas Revolucionárias, mas Fidel Castro sempre assumiu a responsabilidade pelo incidente, afirmando ter dado ordens para o abate de qualquer aeronave que violasse o espaço aéreo cubano. No entanto, congressistas republicanos cubano-americanos dos Estados Unidos afirmam que existem provas que ligam Raúl Castro ao incidente, incluindo uma gravação que dava conta de que tinha sido ele a ordenar o abate dos aviões, refere a CNN.
O regime cubano acusou o grupo de realizar operações secretas contra o Governo, incluindo atentados contra líderes cubanos e sabotagem de uma refinaria de petróleo. No entanto, os Estados Unidos defendem que os aviões foram abatidos em espaço aéreo internacional e que agentes cubanos se tinham infiltrado em grupos no exílio e transmitido informações das suas atividades para Havana, incluindo a missão de 24 de fevereiro. O envolvimento de Castro é negado por Havana.
https://observador.pt/2026/05/20/raul-castro-foi-formalmente-acusado-pelos-eua-pelo-seu-alegado-papel-no-abate-de-dois-avioes-civis-ha-30-anos/
Cuba condena “circo patético de Miami”
O Presidente cubano, Miguel Diaz-Canel, descreveu a ordem de prisão como um “circo patético de Miami” e salientou que “esta manobra de vestuário legal feita por políticos anticubanos e contra Cuba” merece uma “condenação firme”.
“A ação repreensível contra o General do Exército esta manhã num circo patético de Miami, com um passado eleitoral, não tem, nem alguma vez terá, o menor sentido legal e muito menos prático”, disse o Presidente na rede social X.
Para o líder cubano, a medida “faz parte do entusiasmo agressivo” dos Estados Unidos contra a ilha e “responde aos obstáculos tentando justificar o bloqueio e a punição coletiva” contra o povo cubano.
https://x.com/DiazCanelB/status/2112237696383177060?s=20
Por sua vez, o ministro dos Negócios Estrangeiros cubano, Bruno Rodriguez, descreveu esta ação como uma “nova manobra estéril dos políticos anticubanos” e alertou que “sustenta a máquina agressiva da qual tantos viveram durante décadas, aproveitando-se da corrupção do sistema político dos EUA”.
O chefe da diplomacia da ilha acusou políticos da Flórida de “refletirem a podridão política e o colapso moral com que um grupo de parasitas engana os seus seguidores para que continuem a contribuir com cobranças e financiamento”.
(Atualizado às 22h25)