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O Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, acusou nesta segunda-feira os Estados Unidos de adotarem medidas para pressionar Kiev a capitular perante Moscovo, incluindo restrições na partilha de informações militares.
“Acho que foram dados passos para convencer a Ucrânia a capitular”, afirmou Zelensky numa entrevista à agência Bloomberg.
O chefe de Estado ucraniano denunciou atrasos norte-americanos na entrega de mísseis intercetores para os sistemas de defesa antiaérea Patriot, apesar de estes já terem sido pagos por países europeus e de, segundo Zelensky, não existir qualquer problema técnico que justifique a demora. Os Estados Unidos estão atualmente a fornecer 12 mísseis intercetores Patriot por mês, cerca de um quarto do número disponibilizado durante a administração de Joe Biden.
Zelensky afirmou ainda que Washington rejeitou uma proposta de Kiev para suspender os ataques contra a indústria petrolífera russa, como exige o Presidente norte-americano, Donald Trump, em troca do fornecimento de mais mísseis para os sistemas Patriot.
“Mas só querem que deixemos de atacar o diesel. E, se o atacarmos, desligam-nos de alguma coisa”, declarou.
O Presidente ucraniano denunciou também restrições persistentes na ligação à Internet fornecida às forças ucranianas pela empresa norte-americana SpaceX, através da rede de satélites Starlink, e falhas na transmissão de informações de inteligência sobre lançamentos de mísseis balísticos russos.
Segundo Zelensky, a ligação Starlink começa a falhar quando os drones que a utilizam atingem velocidades entre 130 e 161 quilómetros por hora.
“Isso abranda a nossa logística na frente e limita a utilização de diferentes tipos de drones, em particular os de médio alcance e os intercetores de Shaheds com motores a reação”, explicou Zelensky.
As acusações surgem num momento em que circulam informações sobre a possibilidade de uma reunião entre Trump e os presidentes russo, Vladimir Putin, e chinês, Xi Jinping, para discutir a guerra na Ucrânia sem a participação de Kiev ou dos seus aliados europeus.
Segundo o jornal norte-americano The Wall Street Journal, a iniciativa para o encontro partiu de Putin.
O porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, confirmou esta segunda-feira que “o tema desse hipotético encontro foi mencionado” durante a última conversa telefónica entre Putin e Trump, a 9 de outubro.
Peskov negou, contudo, que tenha sido apresentada uma proposta concreta ou alcançado um acordo para uma reunião entre os três dirigentes à margem da cimeira da Cooperação Económica Ásia-Pacífico (APEC), prevista para novembro em Shenzhen, na China.
O ministro dos Negócios Estrangeiros ucraniano, Andrii Sybiha, rejeitou a possibilidade de uma negociação sobre o futuro da Ucrânia sem a participação de Kiev.
“Uma reunião trilateral entre os líderes da Ucrânia, Estados Unidos e Rússia poderia ajudar a acabar com a guerra mais depressa. Uma reunião trilateral entre os líderes da Rússia, China e Estados Unidos faria o contrário: encorajaria Putin a continuar esta guerra”, afirmou o chefe da diplomacia ucraniana.
As declarações coincidiram com um novo ataque russo em larga escala contra a Ucrânia, que, segundo o Ministério da Defesa da Rússia, teve como alvos empresas da indústria militar, depósitos de mísseis de cruzeiro e drones e centros de dados.
Zelensky afirmou que as forças russas utilizaram 16 mísseis de cruzeiro e que o ataque atingiu 28 subestações elétricas e outras infraestruturas energéticas críticas.
Segundo a Força Aérea ucraniana, nenhum dos 16 mísseis de cruzeiro foi intercetado.
O Presidente ucraniano afirmou que o país recebe dos Estados Unidos 12 mísseis antibalísticos por mês, considerando a quantidade insuficiente para responder a um único ataque russo da dimensão do realizado esta segunda-feira.
Zelensky denunciou ainda que, tal como já tinha acontecido duas vezes na semana passada, as forças ucranianas não receberam antecipadamente informações de inteligência sobre o lançamento de mísseis balísticos a partir de território russo, sem responsabilizar diretamente Washington por estas falhas.