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A crise da habitação tem responsáveis

Durante anos, o PS governou Portugal sem dar uma resposta estrutural à dimensão deste problema, tendo até contribuído para o seu agravamento.

João Morgado
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A crise da habitação não é um problema que começou agora e não se irá resolver tão depressa. Começou quase há 20 anos, com a crise das Dívidas Soberanas de 2008 e 2009 que levou à falência e estagnação do mercado da construção, sobretudo em Portugal, mas um pouco por toda a Europa. A perda da mão de obra qualificada por mobilidade setorial causada principalmente pelas falências, agrava hoje o problema.

Desde então Portugal tem construído muito menos casa do que aquelas que necessita, problema acentuado com o aumento da população, necessário, mas muito mal planeado.

O resultado está aos nossos olhos e nas nossas carteiras!

Entre 2014 e 2024, os preços das casas aumentaram mais de 135%, enquanto os salários médios cresceram apenas 33%. Na última década, Portugal acumulou um défice estimado de cerca de 300 mil casas. Estes números ajudam a explicar porque é que comprar casa se tornou um sonho cada vez mais distante para milhares de famílias e para os jovens que cada vez mais tarde se conseguem tornar-se independentes e sair de casa dos pais.

Durante anos, o PS governou Portugal sem dar uma resposta estrutural à dimensão deste problema, tendo até contribuído para o seu agravamento. Agora, tenta passar discretamente ao lado das suas responsabilidades, como se esta crise tivesse aparecido de repente e não fosse o resultado de uma década de oportunidades perdidas, com vários nomes: António Costa, Pedro Nuno Santos e Marina Gonçalves.

A realidade é que faltam casas. Faltou construir habitação pública em escala suficiente e faltou criar condições para que a construção privada respondesse às necessidades das famílias. A escassez de oferta, os custos de construção, a burocracia e a pressão da procura contribuíram para uma escalada dos preços que também se reflete no mercado do arrendamento.

E não tenhamos ilusões, pois não há medidas milagrosas nem soluções de um dia para o outro. Uma crise que se tem agravado ao longo de tantos anos não se resolve com subsídios ou medidas avulsas. É preciso construir mais, acelerar o licenciamento, mobilizar património devoluto e aumentar a oferta de habitação pública e privada a preços comportáveis.

O Governo tem agora a responsabilidade de fazer diferente e de transformar as medidas anunciadas em casas efetivamente disponíveis. Os primeiros sinais de recuperação da construção são positivos, mas o caminho é longo e os resultados vão demorar a ser sentidos pelas famílais.

A habitação é um direito, mas também é uma das maiores preocupações dos portugueses. Não podemos aceitar que uma geração inteira seja obrigada a adiar a sua independência, os seus projetos de vida e a constituição de família porque não consegue pagar uma casa.

Portugal precisa de mais casas, mais ambição e menos desculpas. E precisa, acima de tudo, de uma política de habitação que não se limite a gerir a crise, mas que tenha a coragem de a resolver.