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(A) :: Morreu atriz Clara Joana que escolheu o teatro e chegou ao grande público pelo cinema e TV

Morreu atriz Clara Joana que escolheu o teatro e chegou ao grande público pelo cinema e TV

A atriz lisboeta participou em filmes como "Pão, Amor e... Totobola!" e "A ilha dos Amores", na década de 1960. "O Caminho Perdido" foi a sua última curta-metragem, em 2005.

Agência Lusa
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A atriz Clara Joana, de 85 anos, morreu no sábado, em Lisboa, realizando-se o velório a partir das 17h00 de terça-feira no edifício Saudade, no Cemitério de Carnide, Lisboa, disse esta segunda-feira à Lusa fonte próxima da atriz.

A cremação da atriz que participou, entre outros filmes, em Cerromaior e Amor e Dedinhos de Pé, ambos de Luís Filipe Rocha, realizar-se-á na quarta-feira, pelas 12h00, naquele cemitério em Lisboa, lê-se na sua página na rede social do Facebook.

Clara Joana de Oliveira Vitorino, Clara Joana de nome artístico, nasceu em Lisboa, em 4 de agosto de 1941, no seio de uma família de tradições teatrais, sendo filha do ator António Vitorino, segundo a página Memoriale – Cinema Português, na Internet.

Interessou-se pelo teatro desde sempre, primeiro no liceu e em coletividades amadoras, mais tarde, no Centro Nacional de Cultura, onde fez O Marinheiro, de Fernando Pessoa, dirigido por Fernando Amado, uma encenação que marcou a cena teatral portuguesa, na época, chegando a ser representada no Rio de Janeiro, em 1962.

Em 1959, ingressou na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa e no Conservatório Nacional, cursos que acabou por não completar. Clara Joana fez porém o percurso de iniciação profissional teatral em 1961, tendo trabalhado também com Pedro Bom, pseudónimo de José Manuel da Fonseca, tradutor, dramaturgo e encenador, fundador do Grupo de Teatro Experimental.

No Teatro Moderno de Lisboa, extinto em 1965, Clara Joana fez O Tinteiro, de Carlos Muñiz, numa encenação de Rogério Paulo, Humilhados e Ofendidos, de André Charpak, baseado no romance homónimo de Dostoievsky, e Os Três Chapéus Altos, de Miguel Mihura, ambas encenadas por Fernando Gusmão.

O Professor Taranne, de Adamov, O Pária, de Strindberg, O Dia Seguinte, de Luiz Francisco Rebello (as três encenadas por Paulo Renato), Dente por Dente, de Shakespeare, numa encenação de António Pedro, e O Render dos Heróis, de José Cardoso Pires, com encenação de Fernando Gusmão, foram outras das peças que fez no Teatro Moderno de Lisboa, segundo a mesma fonte.

No cinema, a atriz estreou-se em 1962, com Pão, Amor e… Totobola!, realizado por Henrique Campos.

Em 1965, trabalhou com Francisco Ribeiro (Ribeirinho) no grande espetáculo comemorativo do 5.º centenário do nascimento de Gil Vicente, a partir do qual Lopes Ribeiro realizaria o filme Gil Vicente e o Seu Teatro.

Em 1966, foi bolseira da Fundação Calouste Gulbenkian, tendo frequentado o Centre Dramatique de L’Est, em Estrasburgo.

Em 1968 regressou a Portugal, continuando a carreira de atriz, tendo participado em filmes como A Ilha dos Amores e O Desejado ou as Montanhas da Lua, de Paulo Rocha, Azul Azul, de José de Sá Caetano, e Sinais de Vida, de Luís Filipe Rocha.

As séries Há Lobos na Aldeia, de Cecília Netto, e Um Amor Feliz, de Artur Ramos, a partir do romance de David Mourão-Ferreira, estão entre os trabalhos para televisão de Clara Joana, à semelhança da versão para o “pequeno ecrã” de O Processo de Joana d’Arc, em que foi dirigida por Jorge Listopad.

Sinais de Fogo, de Luís Filipe Rocha, Adão e Eva e Tentação, de Joaquim Leitão, estão entre outras longas-metragens em que Clara Joana entrou, assim como a curta-metragem O Caminho Perdido, de Teresa Garcia, e Confissão, de Nuno Noivo, que em 2019 fez parte de uma campanha da Associação Portuguesa de Apoio à Vítima.