O Museu do Louvre, em Paris, não abriu portas à hora prevista esta segunda-feira, depois de centenas de manifestantes, entre os quais estudantes da Escola do Louvre, terem bloqueado as entradas em solidariedade com os protestos estudantis, noticiou o jornal Le Monde. A mobilização surge após um fim de semana marcado por confrontos, vandalismo e pilhagens em várias cidades do país.
“Temos orgulho em anunciar que estamos a bloquear o maior museu do mundo”, lê-se num panfleto afixado nas imediações do museu. Os estudantes dizem que são solidários com o movimento nacional de protesto e pretendem denunciar a repressão policial. A direção do Louvre considera, contudo, que a mobilização não está diretamente relacionada com a instituição, que está a ser utilizada apenas como “caixa de ressonância”.
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Os protestos prosseguem esta segunda-feira em várias regiões de França. Perto de Lyon, cerca de 20 tratores bloquearam o trânsito na autoestrada A47, junto a Chasse-sur-Rhône, numa ação de protesto dos agricultores, que se juntam aos estudantes. As autoridades pediram aos manifestantes que deixassem uma faixa de circulação livre.
Já em Marselha, as autoridades proibiram todas as “reuniões e manifestações” entre as 12h00 e as 20h00 locais, na sequência dos episódios de violência e dos assaltos registados no sábado. Em Denain, a autarca socialista Anne-Lise Dufour-Tonini decretou um recolher obrigatório noturno, em vigor até domingo, 25 de outubro, entre as 21h00 e as 6h00 locais. A medida, explica o Le Figaro, pretende permitir que a polícia se concentre nos manifestantes violentos, em vez de ter de intervir junto de pessoas que estão apenas a observar os acontecimentos.
Governo reforça apoio ao desemprego parcial e pede a municípios que imponham recolher obrigatório
O primeiro-ministro francês, Sébastien Lecornu, anunciou esta segunda-feira que pediu a alguns municípios que adotem medidas de recolher obrigatório parcial, na sequência dos distúrbios do fim de semana. A medida será aplicada em alguns bairros de Paris e em zonas de quatro cidades do norte de França — Lille, Douai, Wattignies e Denain.
Em Paris, foi instaurado o recolher obrigatório entre as 23h00 desta segunda-feira e as 06h00 de terça-feira (22h00-05h00 de Lisboa), após as pilhagens que destruíram no sábado e no domingo várias áreas da cidade. O recolher obrigatório proíbe “estritamente qualquer presença” nas zonas “da praça da República e do setor de Les Halles”, no centro da capital.
O chefe do Governo anunciou também que, a partir de terça-feira, o apoio ao desemprego parcial passará a cobrir 100% do salário bruto por hora não trabalhada, em vez dos atuais 60%. “É uma medida de proteção do emprego. Não pode haver destruição de postos de trabalho nesta situação, depois de já ter havido destruição propriamente dita”, afirmou.
Lecornu acusou ainda grupos de extrema-esquerda de procurarem provocar instabilidade no país até às próximas eleições presidenciais. O Governo, garantiu, vai procurar “proteger o quadro democrático” do ato eleitoral, incluindo a segurança dos candidatos e dos comícios, independentemente da sua orientação política. “Não podemos permitir que minorias violentas imponham uma agenda de violência e nos impeçam de realizar estas eleições”, sublinhou.
O primeiro-ministro considerou que os protestos dos estudantes do ensino secundário são legítimos, mas alertou que a violência prejudica a liberdade de manifestação, defendendo ainda uma resposta judicial firme aos responsáveis pelos distúrbios.
Em Paris, o Ministério Público contabilizou 855 pessoas detidas no âmbito das manifestações de sábado, das quais 557 ficaram em prisão preventiva, incluindo 433 adultos. Destas detenções, 278 medidas de prisão preventiva foram prolongadas, nomeadamente por suspeitas de furtos e pilhagens em lojas nos Campos Elísios, em Châtelet, Saint-Lazare e République. Já no domingo, foram detidas outras 208 pessoas, das quais 145 ficaram em prisão preventiva.
Mas a violência espalhou-se por todo o país. Vários manifestantes atacaram edifícios públicos, nomeadamente câmaras municipais, como a de Marselha ou a de Limoges, onde se registou um incêndio, ou o posto de turismo de Lyon, que também foi consumido pelas chamas.
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https://twitter.com/LCI/status/2111472622923841984
O Ministério Público afirmou ainda estar a verificar informações sobre duas mortes, uma das quais de um socorrista voluntário que prestava assistência aos manifestantes na praça da République, no sábado, e outra ocorrida na zona de Les Halles, na noite de domingo.