A falha informática que, esta segunda-feira, paralisou grande parte da atividade dos hospitais e centros de saúde foi originada por uma dupla falha de energia no centro de dados do SNS do norte, confirmaram ao Observador os Serviços Partilhados do Ministério da Saúde (SPMS), a entidade que gere o sistema informático do SNS.
A falha informática registou-se a nível nacional, e afetou vários sistemas essenciais para a realização e marcação de consultas, exames ou outros tratamentos e também a prescrição de medicamentos, análises e exames, confirmou o Observador junto da Associação Portuguesa dos Administradores Hospitalares, da Federação Nacional dos Médicos e de vários utentes.
Segundo uma resposta enviada pelos SPMS às 17h45, esta manhã “houve uma interrupção de energia no data center do norte dos SPMS que provocou falhas nos sistemas de apoio aos centros de saúde e hospitais do SNS”. Numa primeira resposta, pelas 12h, os SPMS referiam apenas que tinham sido detetados “constrangimentos no data center dos SPMS”, sem detalhar a origem da situação.
Um dos sistemas mais afetados foi a Prescrição Eletrónica Médica (PEM). Ao tentar aceder à PEM, os médicos depararam-se com a mensagem “não é possível aceder a esta página”. As farmácias viram a atividade bastante afetada, uma vez que não conseguiam dispensar medicamentos prescritos com receita médica eletrónica.
Pelas 15h30, a PEM continuava indisponível em vários centros de saúde. Também a aplicação SNS24 continuava, a essa hora, com bastantes falhas e com um funcionamento irregular.
No entanto, os Serviços Partilhados do Ministério da Saúde indicam que “por volta das 15 horas, as equipas técnicas já haviam conseguido repor praticamente todos os serviços e sistemas, designadamente o Registo Nacional de Utentes e a Prescrição Eletrónica Médica (PEM)”.
Outro sistema bastante afetado foi o Registo de Saúde Eletrónico, a plataforma que centraliza a informação clínica de cada utente. Por este motivo, e sem que os médicos consigam aceder ao histórico dos utentes, muitas consultas estão a ser canceladas.
“Desde as 10h que estamos sem sistema. Não conseguimos aceder à informação clínica e realizar atos clínicos em segurança”, disse, às 12h, ao Observador, a vice-presidente da Federação Nacional dos Médicos.
Pela mesma hora, os SPMS confirmavam que se registavam, desde cerca das 10 horas da manhã, constrangimentos no centro de dados dos SPMS. “O problema foi identificado de imediato e as equipas técnicas estão a trabalhar para a rápida reposição de serviços e sistemas de apoio ao SNS”, referia a instituição ao Observador.
“É uma falha que está a afetar os sistemas dos SPMS [Serviços Partilhados do Ministério da Saúde] dependentes dos serviços web”, adiantava o presidente da Associação Portuguesa dos Administradores Hospitalares, Xavier Barreto.
Por todo o país, muitos utentes foram enviados para casa. No Hospital de Vila Franca de Xira, por exemplo, um utente contou ao Observador que não conseguiu realizar uma consulta de sono que estava marcada há meses. No Centro de Saúde do Carregado, os utentes que tinham consultas ou tratamentos agendados foram informados de que não os poderiam realizar.
A vice-presidente da FNAM, Joana Bordalo e Sá, responsabilizou o Ministério da Saúde. “Isto é inaceitável, é algo recorrente. Nada está a ser feito para prevenir e evitar que isto aconteça. Isto é da inteira responsabilidade do Ministério da Saúde”, defende. A tutela “não moderniza, não nos dá as ferramentas adequadas para conseguirmos praticar um ato, como passar uma receita, como ter acesso ao processo eletrónico dos doentes”, vinca.
https://observador.pt/2026/06/12/sns-falha-informatica-impede-prescricao-de-medicamentos-e-acesso-aos-processos-dos-doentes-em-hospitais-e-centros-de-saude/
Em junho, uma outra falha informática semelhante tinha condicionado o funcionamento dos hospitais e centros de saúde do SNS, obrigando ao adiamento de parte da atividade programada. Nessa ocasião, tal como agora, a origem do problema foi uma falha na energia do centro de dados do SNS.
Serviços Partilhados do Ministério garantem que centro de dados vai ser dotado de redundância
Na resposta enviada ao final da tarde, os SPMS explicam que a falha registada esta segunda-feira “tem uma origem diferente da que ocorreu no passado 12 de junho”.
“Esta segunda-feira ocorreram duas interrupções sucessivas. A primeira foi resolvida de imediato, sem consequências relevantes, mas a segunda causou indisponibilidade nos sistemas de informação”, detalha aquela entidade, lembrando que “conta ter até final deste ano uma nova infraestrutura apoiada por fundos do PRR que assegurará a redundância em tempo real dos principais sistemas do SNS, um investimento que reforçará a segurança e desempenho das plataformas informáticas do Serviço Nacional de Saúde”.
Os SPMS acrescentam ainda que o atual data center dos SPMS tem tido diversas intervenções de melhoria, prevendo-se para breve a reformulação da sua arquitetura energética.
Texto atualizado às 18h15 com novas informações enviadas pelos Serviços Partilhados do Ministério da Saúde, nomeadamente sobre a origem das falhas informáticas