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Macron diz que rejeitou pedido de demissão apresentado por ministro da Administração Interna

Emmanuel Macron pediu ao ministro da Administração Interna que implemente "novas táticas de atuação" para forças de segurança no combate "aos vândalos", para acabar com as barricadas e pilhagens.

Agência Lusa
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O Presidente francês, Emmanuel Macron, rejeitou o pedido de demissão apresentado pelo ministro da Administração Interna, disse esta segunda-feira a presidência, após incidentes violentos que ensombraram protestos contra o custo de vida e as condições do ensino.

“O ministro da Administração Interna [Laurent Nuñez] apresentou este domingo o seu pedido de demissão ao Presidente da República. Perante a necessidade de manter o comando contínuo das forças de segurança no atual cenário, o Presidente da República recusou o pedido“, informou o Eliseu.

Ainda assim, Macron reconheceu na sexta-feira “falhas de antecipação e de inteligência que levaram à violência” e encarregou o ministro da Administração Interna de tomar “todas as medidas necessárias”, acrescentou a presidência, num comunicado.

Vários representantes da oposição, sobretudo da extrema-direita, tinham exigido, no domingo, a demissão de Nuñez, que ocupa o cargo há exatamente um ano.

“Para pôr fim aos episódios de barricadas e pilhagens, [Macron] solicitou ainda ao ministro da Administração Interna que implemente, o mais rapidamente possível, novas táticas de atuação para as forças de segurança interna no combate aos vândalos“, acrescentou a presidência francesa.

Cerca de 2.400 pessoas foram detidas no sábado em França, durante protestos contra o aumento do custo de vida, marcado por violência, e cerca de mil polícias e agentes ficaram feridos, dos quais sete em estado grave.

Segundo um balanço do Ministério da Administração Interna, as autoridades realizaram 2.397 detenções, com múltiplos episódios de violência e pilhagens.

O ministério diz que saíram às ruas no sábado, em protesto, 550 mil pessoas. A organização diz que terão participado 800 mil.

As autoridades francesas condenaram a desordem e a violência, que terá afetado 1.500 comerciantes e causado centenas de milhões de euros em prejuízos.

No domingo, Macron já tinha prometido responsabilizar quem “tentou derrubar a República”, num discurso à nação.

“Aqueles que saquearam terão de indemnizar pelos danos, e aqueles que tentaram derrubar a República serão responsabilizados”, disse o chefe de Estado francês na intervenção.

Macron apontou a “violência desenfreada” por parte de “elementos de grupos radicais de extrema-esquerda, aos quais se juntaram inúmeros criminosos”, expressando a “raiva” e a “vergonha” da população francesa perante os atos de violência ocorridos à margem das manifestações de sábado.

“Todos nós sentimos esta noite raiva e vergonha”, declarou o Presidente de França, apelando a que não se “confundam” os manifestantes com “reivindicações legítimas” com “aqueles que destruíram, partiram e saquearam”.

Macron anunciou ainda que os deputados e as autoridades locais irão trabalhar, a partir desta semana, em soluções concretas para dar resposta ao mal-estar dos jovens.

“Não podemos pedir aos nossos jovens que acreditem no seu futuro sem (…) nos sentarmos à mesa”, concluiu.