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(A) :: Confrontos marcam protestos no Chile no sétimo aniversário da revolta social de 2019

Confrontos marcam protestos no Chile no sétimo aniversário da revolta social de 2019

Pelo menos 29 pessoas foram detidas, após um grupo de encapuzados começarem a atacar os carabineros com objetos contundentes e, posteriormente, com objetos incendiários.

Agência Lusa
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Milhares de pessoas assinalaram, no domingo, o sétimo aniversário da revolta social chilena de 2019 com uma manifestação não autorizada, que foi alvo de uma intervenção policial, com gás lacrimogéneo e veículos blindados com canhões de água.

Pelo menos 29 pessoas foram detidas, informaram as autoridades chilenas.

O chefe da força policial para a capital, Manuel Cifuentes, explicou que a marcha decorreu com normalidade, mas que, por volta das 13h00 (17h00 em Lisboa), um grupo de pessoas encapuzadas “começou a atacar os carabineros com objetos contundentes e, posteriormente, com objetos incendiários, do tipo cocktails Molotov”.

Cifuentes não descartou novas detenções e sublinhou que há vários agentes feridos, que necessitaram de ser assistidos em diferentes unidades de saúde.

A marcha, que juntou milhares de pessoas na emblemática Praça Itália, foi organizada por várias entidades sociais e estudantis. A maioria dos manifestantes protestava contra os cortes na despesa pública promovidos pelo Presidente José Antonio Kast.

Desde que assumiu funções, Kast tem defendido reduções da despesa pública, uma política que tem suscitado críticas em vários setores da sociedade.

Apenas sete meses após ter assumido o cargo, o líder de extrema-direita regista uma taxa de desaprovação histórica, impulsionada por promessas não cumpridas e cortes nos programas sociais.

No final de 2019, o Chile viveu uma vaga de protestos que exigiam reformas estruturais e uma nova Constituição para substituir a que foi herdada da ditadura de Augusto Pinochet (1973-1990).

Milhares de chilenos saíram então à rua para exigir melhores serviços públicos e o fim das desigualdades económicas. Os protestos prolongaram-se durante vários meses e evoluíram para os mais violentos episódios de agitação social registados no país desde o regresso à democracia, em 1990.

A marcha recordou as cerca de 30 vítimas que morreram durante os protestos, bem como os milhares de feridos pela repressão das forças de segurança, que têm sido duramente criticadas pela ONU.

Este é o primeiro aniversário da revolta desde que Kast chegou ao poder, em março. O chefe de Estado sempre descreveu a vaga de protestos de 2019 como uma “explosão criminosa”.

“A sociedade entendeu que validar a violência era uma má ideia, pois isso traz consequências posteriores, como a instabilidade no nosso país”, afirmou, na manhã de domingo, à emissora chilena TVN, o ministro da Segurança, Martín Arrau.

Embora a maioria das reivindicações se mantenha e o descontentamento da população esteja a crescer, nos últimos anos a perceção sobre a agitação social de 2019 tornou-se mais crítica.

De acordo com uma sondagem da Universidade para o Desenvolvimento, divulgada no sábado, 64% dos inquiridos consideram que o evento foi negativo para o país, mais sete pontos percentuais do que em 2024.