Foi um dos primeiros pontos a ser debatido na assembleia popular, ao início da noite deste domingo: os manifestantes estão preparados para dormir uma segunda noite no Rossio, em Lisboa. E, já ao início da madrugada, é o que deverá acontecer.
Durante o dia, as tendas coloridas mantiveram-se atrás da estátua de D. Pedro IV, mas ao início da noite era visível um menor volume de manifestantes. Um dos membros da organização do protesto, que pede atenção para a crise da habitação, referiu que algumas tendas saíram ao longo do fim de semana, mas terão dado lugar a outras.

Durante a assembleia popular, que durou cerca de duas horas, os manifestantes aprovaram cerca de duas dezenas de propostas, incluindo a vontade de iniciarem contactos com sindicatos para uma “greve ibérica” a 11 de novembro. É a data já marcada para a greve geral em Espanha. Também foi aprovada uma proposta para que os manifestantes protestem em frente à Assembleia da República a 27 de outubro, quando há a discussão na generalidade do Orçamento do Estado para 2027.
O ritmo desacelerou após a assembleia, com apelos constantes para que as pessoas não desmobilizem. Aqui e ali, viam-se algumas movimentações da PSP e da polícia municipal, que se intensificaram a partir das 23 horas.
Após a assembleia popular, João Veloso, membro da organização da acampada de Lisboa, dizia ao Observador que “não houve apelo ou tentativa de falar por parte da polícia”. Algum tempo depois, o cenário era outro.
Ainda antes da hora permitida por lei para a manifestação, alguns membros da organização atravessaram a praça, acompanhados por elementos da PSP e da Polícia Municipal. Pararam junto ao Teatro Nacional D. Maria II, rodeados pela imprensa.

“Como vai ser a noite?”, questionou Alessandra, representante da organização. “Calma”, respondeu o superintendente Resende Silva, da PSP. “Não vamos reprimir nada, vamos cumprir a lei. Vamos ter que cumprir a lei”, afirmou. “As tendas, o acampamento, obedece a regras e vai haver um momento em que vai ter que ser reposta a normalidade, espero que isso seja feito de forma natural.”
“Esteja à vontade que não vamos reprimir nada”, continuou. “Não se trata de reprimir, é de cumprir a lei. Não houve repressão — não há vontade nenhuma da nossa parte.” Em simultâneo, quem continuava junto às tendas intensificava os cânticos.
“Hoje é tranquilo”, ouviu-se ao megafone por volta da uma da manhã. Durante algum tempo, os manifestantes mantiveram um cordão policial à volta das tendas no Rossio. Ao mesmo tempo, continuavam as palavras de ordem — “somos a resistência, não vamos desmobilizar”. Os cânticos cessaram por volta das 1h30, dando lugar ao silêncio, quebrado apenas pelo som das conversas de pequenos grupos. Pouco tempo depois, os manifestantes começaram lentamente a recolher-se às tendas para passar mais uma noite.