Os confrontos continuaram este sábado, pelo quinto dia, em Tirana, onde manifestantes exigem a demissão do chefe do Governo albanês e denunciam as condições de ensino e as propinas universitárias.
Algumas centenas de pessoas, algumas mascaradas, reuniram-se por volta do meio-dia em frente ao Ministério da Educação, e as ações de protesto estenderam-se, em seguida, por toda a capital albanesa.
No início da manifestação, os manifestantes atearam fogo a uma mala e atiraram-na para o pátio do Ministério da Educação, sinalizando, com isso, que não pretendem sair da Albânia.
Os manifestantes atiraram pedras contra a polícia e incendiaram contentores do lixo, utilizando-os para erguer barricadas de forma a impedir o avanço das forças de segurança.
Pela primeira vez desde o início destas manifestações, a polícia utilizou balas de borracha, constatou a agência France-Presse no local.
Três pessoas foram assistidas com ferimentos na cabeça, no olho e na perna, aparentemente provocados pelos projéteis de borracha, relatou Paula, que, juntamente com outros jovens, montou um posto de primeiros socorros improvisado num escritório de advogados.
A legislação albanesa permite que a polícia utilize balas de borracha durante as manifestações apenas em casos extremos.
O Ministério da Saúde informou que nove manifestantes e quatro polícias receberam assistência médica.
“Hoje, pela primeira vez desde o início dos protestos, a polícia usou balas de borracha — uma medida extrema, considerando que, entre os manifestantes, há menores de 16 a 17 anos”, contou Redi Taku, um estudante de desporto.
O diretor da polícia, Skender Hita, durante uma conferência de imprensa, assegurou que “balas de borracha” foram disparadas “de forma limitada”.
“Todos os meios empregues foram utilizados de forma limitada, tendo sido utilizados apenas equipamentos certificados, autorizados para tais situações nos países da União Europeia”, acrescentou.
Segundo Hita, durante as manifestações desta semana, foram detidas 167 pessoas e abertos procedimentos criminais contra 388 indivíduos.
Sete polícias foram suspensos e estão sob investigação disciplinar por terem excedido as suas funções.
Em cinco dias, 132 agentes das forças de segurança ficaram feridos, sobretudo em Tirana.
Depois de instar os manifestantes a “cessarem os atos de violência” através de avisos via megafone, a polícia utilizou também — tal como nos dias anteriores — canhões de água e gás lacrimogéneo para dispersar temporariamente a multidão, deixando as ruas da capital cobertas por um denso fumo.
Manifestações violentas têm agitado Tirana desde terça-feira, com milhares de manifestantes a exigirem a saída do primeiro-ministro Edi Rama.