O autor do ataque com um cocktail molotov contra os participantes da Marcha Pela Vida — um incidente ocorrido em março de 2026 — recusa que tenha arremessado o engenho contra os participantes de forma intencional e diz não acreditar que a violência seja “um meio para obter quaisquer resultados”. Ainda assim, Nelson Vassalo não vai pedir a abertura de instrução, depois de ter sido conhecida esta sexta-feira a acusação do Ministério Público. Desta forma, o caso segue diretamente para julgamento.
Em comunicado, o advogado de Nelson Vassalo, Ricardo Sá Fernandes, refere que o cliente foi notificado da acusação por causa do cocktail molotov “por ele arremessado para a escadaria da Assembleia da República, em março passado”, acrescentando que o arguido “tem consciência de que praticou um ato irrefletido e irresponsável, de que está profundamente arrependido”.
Porém, diz o advogado, “não só não é verdade que tenha arremessado intencionalmente o engenho contra quaisquer pessoas, como nada o movia nem move contra o movimento pró-vida, como a documentação recolhida no processo abundantemente demonstra”.
Porém, no despacho de acusação, o Ministério Público (que indiciou Vassalo pela prática de 10 crimes) tem outro entendimento e sublinha que o homem “agiu com a intenção de afetar seriamente aqueles visados, física e psicologicamente, não obstante não os conhecer, mas, sobretudo, agiu com intenção de afetar o sentimento de segurança de todos os terceiros que, não estando ali presentes, defendessem ou viessem a defender aquelas convicções quanto ao aborto, à eutanásia e ao suicídio medicamente assistido”.
https://observador.pt/2026/10/16/cocktail-molotov-na-ar-mp-acusa-autor-do-ataque-de-infracao-terrorista-tentativa-de-homicidio-posse-de-arma-proibida-e-incendio/
Segundo o MP, Nelson Vassalo tinha a intenção de “condicionar, assim, pelo terror de que a violência se repetisse, o futuro livre exercício do direito constitucional de manifestação e de expressão de ideias democráticas e constitucionalmente legítimas”. Segundo os procuradores, Vassalo “agiu unicamente pela convicção político-ideológica de extrema-esquerda, visando a luta política armada violenta, através do uso do fogo, deliberada e exclusivamente contra aqueles manifestantes que odiava e que considerava que defendiam ideias opostas às suas”.
Contudo, Ricardo Sá Fernandes garante que Nelson Vassalo (que continua em prisão preventiva desde que foi detido, em abril deste ano) “é um ativista pela causa da habitação, mas não acredita que a violência seja um meio para obter quaisquer resultados”.
O advogado de defesa indica ainda que não vai pedir a abertura de instrução, apelando a um “julgamento justo”. “Espera-se que o julgamento possa ser marcado com rapidez. Conta-se com um julgamento justo, em que fique claro, sem margem para dúvidas, que nunca houve a intenção de ferir ou magoar alguém, como, felizmente, o registo da videovigilância vai permitir comprovar”, salienta Sá Fernandes.
O Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP) acusou Nelson Vassalo de 10 crimes, incluindo crimes de infrações terroristas, tentativa de homicídio, posse de arma proibida e incêndio.