(c) 2023 am|dev

(A) :: Parlamento aprova alargamento da licença parental na votação final global por unanimidade

Parlamento aprova alargamento da licença parental na votação final global por unanimidade

Proposta foi aprovada por unanimidade, mas considerada "vitória amarga": ficou aquém dos seis meses pedidos pelos cidadãos e exclui quem já está de licença a 1 de janeiro.

Marina Ferreira
text

O Parlamento aprovou esta sexta-feira, na votação final global, o alargamento da licença parental para cinco meses pagos a 100% (dos atuais quatro). Para os casais que decidam partilhar a licença — bastando que um deles goze de 30 dias de licença consecutiva — o pagamento a 100% estende-se por mais um mês, chegando a licença aos seis meses. Todos os partidos votaram a favor do texto final apresentado pela Comissão de Trabalho, Segurança Social e Inclusão, relativo ao projeto de lei apresentado por uma iniciativa de cidadãos que propunha o alargamento da licença parental para seis meses.

O texto final baseia-se na proposta de alteração conjunta do PS e PSD e da qual o CDS ficou de fora.

Quase todos os partidos avocaram ao plenário a votação de propostas de alteração ao texto final da proposta. Todas as propostas dos partidos que não as do PS e PSD foram chumbadas. A deputada do Chega, Felicidade Vital, referiu-se antes das votações à proposta avocada pelo seu partido, que pretendia que constasse do decreto-lei que define e regulamenta a proteção na parentalidade uma norma transitória para que o alargamento da licença parental inicial se aplicasse às licenças que já se tivessem iniciado à data da entrada em vigor desta lei, apontada para o dia 1 de janeiro de 2027.

A proposta apresentada pela deputada Felicidade Vital acabou chumbada com os votos contra do PS e PSD. “Nunca aceitaremos que uma criança seja prejudicada porque nasceu umas horas mais cedo, assim, não nos calaremos. A pergunta é clara: querem ignorar quem já está a cuidar dos seus bebés no dia 1 de janeiro. Uma criança não vale mais do que outra”, afirmou a parlamentar.

Miguel Cabrita, deputado do PS, lamentou que o Governo não tenha introduzido tal norma transitória. “Quanto à entrada em vigor, nas últimas mudanças da licença os governos do PS asseguraram sempre a situação das pessoas que já estão a gozar licenças”.

“Não tutelamos agora os serviços públicos, mas quero dizer que lamentamos profundamente que da parte do atual Governo não exista ou sensibilidade, ou a capacidade para assegurar o que tem sido sempre possível em momentos de alargamento da licença”, refere, notando que o PS tentou introduzir essa abrangência na proposta conjunta com o PSD.

Isabel Mendes Lopes afirmou que este é um “grande dia, da vitória dos cidadãos que há tanto tempo lutam pelo alargamento da licença parental”. Mas chama-lhe uma “vitória amarga” por não se chegar aos seis meses como o grupo de cidadãos pretendia.