(c) 2023 am|dev

(A) :: Ministério da Administração Interna avança com queixa-crime contra o ex-secretário-geral Ricardo Carrilho

Ministério da Administração Interna avança com queixa-crime contra o ex-secretário-geral Ricardo Carrilho

O exonerado do cargo Ricardo Carrilho acusou o ministro Luís Neves de acordar contratos sem concurso. Ministério diz que declarações são "grotescas falsidades" e avança com participação criminal.

Marina Ferreira
text
Manuel Nobre Monteiro
text
Pedro Raínho
text

O Ministério da Administração Interna (MAI) acusa Ricardo Carrilho de proferir “grotescas falsidades” e declarações “caluniosas e difamatórias” e anuncia que vai avançar com uma queixa-crime contra o ex-secretário-geral. A posição foi transmitida esta sexta-feira pelo ministério ao Observador. Em causa estão as declarações feitas por Carrilho contra o ministro Luís Neves, após ter sido exonerado do cargo.

Na nota, o ministério reitera a “total disponibilidade para esclarecer todas estas matérias, desde logo no Parlamento”. Grande parte das declarações de Ricardo Carrilho contém, continua, “grotescas falsidades, conteúdo calunioso e difamatório”, além de constituir uma “violação de deveres funcionais” que se mantêm mesmo depois de o antigo secretário-geral ter cessado funções. Por esse motivo, o ministério tutelado por Luís Neves informa que “serão acionadas as competentes participações criminais”.

Numa entrevista publicada esta sexta-feira no Nascer do Sol, Carrilho acusou Neves de acordar projetos de obras e de reforço da rede de comunicações do SIRESP diretamente com empresas, em vez de garantir concursos públicos. Garantiu ainda que o membro do Governo lhe falou da Construbarcelos, a empresa do empreiteiro que fez obras ao ministro e ganhou 17 contratos com a PJ, “muito antes de o escândalo rebentar”.

O ex-secretário-geral contou que a menção à empresa surgiu numa conversa sobre dezenas de esquadras e postos para a PSP e GNR que estavam em “diferentes fases de obras ou de lançamentos de obras, que a Secretaria-Geral tinha em mãos”.

“Disse-me que conhecia empresas com que tinha trabalhado na PJ nestas áreas, que podiam fazer estas obras com rapidez e qualidade. Entre elas, segundo me recordo, constava a Construbarcelos. Eu lidava com centenas de empresas de construção civil e nunca tinha ouvido falar nesta”, afirmou o secretário-geral exonerado ao semanário.

Carrilho explicou ainda como entrou em colisão com o Governo quando lhe foi dito que o grupo DST, em consórcio com a SolMaior, teria de ser o escolhido para fornecer comunicações a freguesias e municípios através da Starlink. Garantiu ao Nascer do Sol que recusou o nome da empresa, exigindo que fosse selecionada através de um concurso público.

“Não posso provar isto. Mas não posso excluir que, tendo o ministro reunido com os donos da empresa antes, e tendo conhecido o caderno de encargos antes de ele ser público, isso tenha condicionado o preço que a DST apresentou”, referiu ainda.

A DST/SolMaior acabou por ganhar um concurso do MAI de 4,5 milhões para garantir o reforço da rede de comunicações do SIRESP.

Sobre o seu afastamento da Secretaria-Geral do MAI, explicou que esta se tornou “incómoda”. “Incómoda ao colocar um conjunto de questões relativamente ao SIRESP. O ministro Luís Neves não quer extinguir o SIRESP, aliás contra o programa de Governo e contra o que pensa o seu próprio secretário de Estado adjunto, Paulo Simões Ribeiro”, denunciou ainda.