O presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Carlos Moedas, recusou reunir-se com a SDR Portugal, entidade responsável pelo sistema Volta que pretendia discutir com o município as medidas para minimizar os impactos na limpeza urbana, avançou esta sexta-feira o jornal Expresso. O autarca tem defendido a suspensão do sistema, alegando que está a provocar problemas sociais e a agravar a acumulação de lixo nas ruas da capital.
A SDR Portugal confirmou ao semanário ter solicitado uma reunião com Carlos Moedas, mas recebeu como resposta “falta de disponibilidade”. Entre os assuntos que pretendia discutir está a instalação de seis quiosques Volta destinados a facilitar a devolução de embalagens por parte dos setores da restauração e hotelaria. Questionado pelo Expresso sobre a recusa em reunir-se com a entidade, o gabinete do presidente da Câmara não respondeu.
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Esta quarta-feira, em Bruxelas, Carlos Moedas afirmou ter pedido à comissária europeia do Ambiente, Jessika Roswall, que reveja a obrigação de os Estados-membros terem sistemas de devolução e reembolso de embalagens. O autarca disse ter mostrado a Roswall “vídeos e fotografias daquilo que se está a viver em Lisboa” e adiantou que a comissária se comprometeu a promover uma reunião entre a Comissão Europeia, o Governo português e a Câmara de Lisboa.
No dia anterior, durante uma sessão plenária do Comité Europeu das Regiões, Moedas classificou como “terríveis” os resultados do Volta na capital e reiterou a suspensão do sistema. O autarca lisboeta alegou ainda que a recolha de embalagens está a contribuir para a toxicodependência, afirmando ter “relatórios de pessoas que estavam em tratamento de droga e que agora passaram a utilizar o sistema Volta como uma maneira de continuar a manter o vício“.
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A ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, já rejeitou a ideia de que o sistema seja responsável por um “flagelo social“, lembrando que a implementação é obrigatória a nível europeu. Segundo a ministra, o Volta torna mais visíveis “os problemas sociais e de pobreza que existem principalmente nas grandes cidades”, devendo contribuir para aumentar a reciclagem e reduzir o abandono de resíduos.
A SDR Portugal deverá entregar esta sexta-feira ao Ministério do Ambiente um plano de intervenção para prevenir e minimizar os impactos do sistema na limpeza urbana, em articulação com os municípios. A iniciativa surge na sequência do apelo da ministra para que a entidade responsável pelo Volta acautelasse os efeitos negativos da sua implementação.