Trotinetes a circular em contramão, trotinetes abandonadas nos passeios e espaços públicos e um aumento exponencial dos acidentes com trotinetes. É este o retrato feito por Carlos Moedas do sistema de trotinetes partilhadas na cidade de Lisboa. E é também este o cenário a que o executivo da capital procura pôr um fim, com a suspensão da circulação das trotinetes. O anúncio foi feito pelo presidente da Câmara esta quinta-feira à noite no seu espaço de comentário no canal NOW.
“O sistema como está não está a funcionar. Tomámos uma decisão. Vamos suspender em Lisboa o sistema de trotinetes partilhadas“, afirmou Carlos Moedas num vídeo publicado nas suas redes sociais depois do anúncio em direto, que é justificado com dois problemas. Por um lado, o “problema do espaço público“, provocado pelas trotinetes mal estacionadas que muitas vezes ocupam os passeios. Em média, por mês, os serviços da Câmara têm recolhido 1.200 trotinetes mal estacionadas.
https://x.com/Moedas/status/2110843629170520446
O outro problema, que inspira ainda mais preocupação, é o da segurança. O presidente da Câmara frisou, na NOW, o facto de as trotinetes serem utilizadas por crianças e jovens e de se ter registado, desde 2023, um aumento de 80% nos acidentes com estes veículos. Uma parte significativa dos acidentes, aponta Carlos Moedas, obrigou as vítimas a receberem cuidados hospitalares, o que demonstra a severidade dos acidentes.
“Temos feito tudo para resolver o problema, mas é um problema que se vai acumulando. Fizemos um acordo com os fornecedores, [mas] não funcionou“, justificou o autarca, apontando que as empresas têm simplesmente reposto os aparelhos retirados pela Câmara. “É uma guerra que nunca vai acabar”, acrescentou. Carlos Moedas sustenta a decisão com o facto de Paris ou Bruxelas já terem avançado com a mesma suspensão. Já o sistema das bicicletas Gira vai continuar operacional e vai até ser reforçado, avançou Carlos Moedas, que caracterizou as bicicletas como um “meio muito mais seguro”.
https://observador.pt/2026/09/28/moedas-garante-medidas-para-combater-problemas-com-trotinetes-em-lisboa/
A suspensão do sistema ainda tem de ser aprovada na reunião da Câmara Municipal, agendada para o dia 21 de outubro. O executivo camarário tem maioria, mas Moedas conta ainda com o voto a favor do Partido Socialista já que “também em Braga votou a favor” da mesma proposta. Depois de aprovada a suspensão, as empresas terão 60 dias para retirar todos os aparelhos das ruas de Lisboa. “Podem pôr um processo, mas espero que isso não aconteça”, rematou o presidente da Câmara, antecipando o fim da circulação de todas as trotinetes até ao final do ano.
“Neste momento, e perante todos os dados de que dispomos, não nos resta outra opção senão a suspensão do serviço de trotinetes partilhadas em Lisboa”, disse Carlos Moedas (PSD) numa nota enviada à Lusa esta sexta-feira.
De acordo com o autarca, “a par de tudo isto, que já é bastante grave”, a cidade de Lisboa continua a ter “um enorme problema de segurança” com pessoas a circular neste tipo de veículo “em contramão, nos passeios, e muitas vezes duas pessoas na mesma trotinete e sem o mínimo de respeito por quem circula no espaço público”.
Carlos Moedas lembra igualmente o “problema de estacionamento indevido” destes veículos no espaço público e a forma como condicionam a circulação de pessoas, “afetando particularmente os mais idosos, com mobilidade reduzida, cidadãos cegos, crianças e famílias com carrinhos de bebé por exemplo”, disse.