
A frase
“Portugal iniciou já as “reparações” com indemnizações às antigas colónias…”
— Utilizador de Instagram, 01 de outubro de 2026
Circulam nas redes sociais dezenas de publicações que referem que Portugal já começou as “reparações” às antigas colónias, com “indemnizações”. Não apresentam fonte para a informação veiculada, mas começaram a surgir dias depois de o partido Chega ter publicado nas suas páginas oficiais nas redes sociais (como no Facebook) que “o Governo português aceitou negociar o pagamento de indemnizações às antigas colónias”.

“Não aceitaremos tamanha traição à nossa memória. Não aceitamos que, num país onde já não há dinheiro para baixar os preços dos combustíveis ou para a saúde, haja mentes iluminadas a querer fazer reparações históricas por acontecimentos de há cinco séculos. Não aceitaremos!”, lê-se numa publicação do partido a 29 de setembro.
No próprio dia, o Governo rapidamente reagia à amplificação da informação, desmentindo o partido de André Ventura. Como o Observador reportou, o Governo mantém “inalterada” posição assumida em 2024 em que afastava reparações históricas e, ao contrário do que sugeriu o Chega, não tem qualquer plano para indemnizar as antigas colónias no âmbito das reparações históricas.
Mas isso não impediu que a informação continuasse a proliferar online, em diversas redes, colecionando gostos e partilhas.
O caso de desinformação teve origem no ministro dos Negócios Estrangeiros do Gana, que disse, citado pela Reuters, que tinha o “apoio” de Portugal para avançar com o processo de reparações históricas. Como uma alta fonte diplomática explicou ao Observador, essa é uma leitura abusiva e nunca tal foi prometido a Acra.
Conclusão
A informação veiculada na publicação é falsa. Não existe qualquer evidência de que tenha Portugal começado as “reparações” com o pagamento de indemnizações às antigas colónias, e o Governo desmentiu a informação.
Assim, de acordo com o sistema de classificação do Observador, este conteúdo é:
ERRADO
No sistema de classificação do Facebook, este conteúdo é:
FALSO: As principais alegações do conteúdo são factualmente imprecisas. Geralmente, esta opção corresponde às classificações “falso” ou “maioritariamente falso” nos sites de verificadores de factos.
NOTA: este conteúdo foi selecionado pelo Observador no âmbito de uma parceria de fact checking com o Facebook.