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Porto. Manifestantes pela habitação montam dezenas de tendas e desafiam Pedro Duarte e polícia

Sob os olhos atentos da PSP, os manifestantes responderam a Pedro Duarte e voltaram a montar tendas na Praça D. João I. "Seremos implacáveis em seguir a incomodar os agentes".

Miguel Pinheiro Correia
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Três dias depois de a polícia ter ordenado a retirada de todas as tendas da Praça D. João I e poucas horas depois das duras palavras do Presidente da Câmara Municipal do Porto, os manifestantes voltaram à carga. Pelas 20h, decidiram, em “assembleia popular”, montar novamente tendas para passarem a noite na praça em protesto contra a subida dos preços da habitação.

Várias centenas de pessoas — a organização fala em “mais de 500” — reuniram-se primeiro numa manifestação que foi convocada depois da retirada das tendas na segunda-feira. Colados ao varandim com vista superior para a praça foram colados vários cartazes onde era possível ler: “Para quê estudar se não vou ter onde morar?”; “Mais habitação menos especulação”; “Habitação é um direito não um negócio” e “Tanta casa sem gente, tanta gente sem casa”.

Depois da manifestação, onde foram cantadas várias músicas e entoados gritos de ordem — “A praça é nossa e há de ser” — algumas pessoas estiveram reunidas numa assembleia que terminou pelas 20h. “Convocámos o voto para o povo decidir se quer que acampemos para continuar a protestar. O povo quer, vamos acampar, estamos a montar as tendas“, disse Pedro Manuel, um dos responsáveis pela comunicação do movimento.

Em pouco tempo foram levantadas pelo menos 20 tendas na Praça D. João I, sob o olhar atento da polícia. Tal como aconteceu durante o acampamento no fim de semana, os manifestantes continuam sem autorização para pernoitar no local. Por esse motivo, Pedro Manuel entende que, “infelizmente”, a atuação da polícia será inevitável.

Apesar de criticar a atuação da PSP e da Polícia Municipal enquanto instituições, disse que o movimento tem recebido o apoio “individual” de alguns agentes. No entanto, avisou: “Se [os polícias] pretendem ser implacáveis em seguir a incomodar, seremos implacáveis em seguir a incomodar os agentes”.

Sem arriscar um número, Pedro Manuel explicou que sobraram poucas tendas desde a última apreensão, mas receberam novas tendas trazidas por outras pessoas. “Temos cerca de 60, mas pode ser muito mais. (…) Claro que desde a apreensão das tendas, a câmara conseguiu o que queria, [mas] não conseguiu por inteiro, porque continuamos cá”.

“A expectativa é de continuarmos a crescer, não só cá no Porto, mas também noutras cidades. Isto é um movimento que está a nascer”. Todo este apoio, prosseguiu, é individual, não tendo o partido recebido apoio formal dos partidos. “O apoio que temos é popular, temos indivíduos de todas as áreas, espetro político, temos idosos, jovens, crianças, trabalhadores, estudantes, temos pessoas de vários partidos que vêm, não institucionalmente, mas pessoalmente, porque esta é uma luta de todos”.

Desde que foram montadas as tendas, os organizadores do acampamento utilizaram os altifalantes que montaram na Praça D. João I para pedir uma maior mobilização, de forma a impedir — com um possível cordão humano — que os polícias atuem, retirando as tendas. Concentrados num dos lados da praça, pouco mais de uma dezena de agentes da PSP observam o cenário, tal como dois agentes da Polícia Municipal.