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(A) :: Protestos de estudantes albaneses contra Edi Rama: Ministério da Educação incendiado, 23 detidos e mais de 20 feridos em Tirana

Protestos de estudantes albaneses contra Edi Rama: Ministério da Educação incendiado, 23 detidos e mais de 20 feridos em Tirana

É o segundo dia de protestos de estudantes universitários na capital da Albânia. Os confrontos entre manifestantes e polícia já levaram a pelo menos 20 detenções. O Ministério da Educação incendiado.

Agência Lusa
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Cátia Rocha
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Mais de duas dezenas de estudantes albaneses ficaram feridos e mais de 20 foram detidos após confrontos com a polícia na capital da Albânia durante um protesto para exigir a demissão do primeiro-ministro, Edi Rama. A polícia utilizou gás lacrimogéneo e canhões de água contra as centenas de estudantes que protestavam frente ao edifício do Ministério da Educação, em Tirana, numa manifestação contra o Governo e em que pediam também melhores condições de ensino na Albânia.

De acordo com os repórteres da agência France-Presse (AFP), os manifestantes atiraram pedras e partiram janelas do Ministério da Educação, derrubaram uma vedação e incendiaram painéis publicitários. Há informação sobre um incêndio que deflagrou esta quarta-feira em dois andares do edifício do Ministério da Educação da Albânia, após o lançamento de ‘cocktails molotov’ por estudantes que protestavam contra os custos da educação e a deterioração das instalações escolares.

Segundo os meios de comunicação locais, 23 manifestantes foram detidos e vinte ficaram feridos.

A polícia disse à AFP que um grupo de manifestantes cometeu atos de violência, danificando a vedação e o portão ao tentar entrar no pátio do edifício governamental. O ministro do Interior (correspondente ao Ministério da Administração Interna), Ervin Demo, pediu calma a todos os participantes afirmando que a violência é injustificável.

https://twitter.com/AlArabiya_Eng/status/2110401367479087133

As tensões ocorreram após mais de quatro meses de protestos antigovernamentais, desencadeados por um projeto turístico de luxo ligado à família do Presidente norte-americano, Donald Trump.

Desde o final de maio que os manifestantes se opõem a um projeto de construção de um hotel de luxo numa reserva natural na costa albanesa.

O projeto está diretamente ligado à filha de Donald Trump, Ivanka, e ao marido, Jared Kushner. A iniciativa gerou acusações de alegada corrupção e falta de transparência.

https://twitter.com/AP/status/2110317833536114980

https://twitter.com/xhemajl_rexha/status/2110428221766570273

“O protesto é um direito legítimo, mas não pode ser usado como justificação para a violência”, diz vice-primeira-ministra

A vice-primeira-ministra, Albana Kociu, reconheceu o direito de protestar, mas pediu aos estudantes que se abstenham de cometer atos de vandalismo e de recorrer à violência, e denunciou os “interesses políticos” por detrás destas manifestações.

“O protesto é um direito legítimo, mas não pode ser usado como justificação para a violência, a destruição da cidade ou confrontos horríveis no meio da rua”, disse, numa mensagem publicada na rede social Facebook.

De acordo com o albanês Shekulli, os manifestantes também causaram danos no edifício do parlamento. No Facebook, Niko Peleshi, presidente do parlamento albanês, partilhou um vídeo em que manifestantes atingem o edifício do parlamento. “O facto de o edifício do parlamento e as instituições públicas serem alvo de ataques, bem como a transformação destes em alvos de uma raiva cega, é inaceitável”, escreveu.

“O vandalismo não tem nada a ver com os estudantes nem com o protesto democrático. A violência e a destruição não servem nenhuma causa, mas prejudicam o interesse público e a própria sociedade”, continuou. Apelou “às entidades políticas para que se distanciem dos incitamentos e dos apelos à violência”.

Antes disso, Peleshi publicou uma mensagem no X em que diz que “o protesto é um direito constitucional, mas deve ser exercido de forma pacífica e em respeito à lei”.

“Qualquer ato de violência ou vandalismo é inaceitável e não serve nem ao diálogo, nem ao interesse público”, escreveu. “No nosso caminho para a União Europeia, a responsabilidade, o diálogo e o respeito pela lei são valores que nos devem guiar em toda a circunstância, especialmente neste momento de importância extraordinária para a Albânia.”