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(A) :: A ala privada no hospital, o círculo restrito e as decisões diárias. Como o Papa continua a governar a Igreja Católica estando internado

A ala privada no hospital, o círculo restrito e as decisões diárias. Como o Papa continua a governar a Igreja Católica estando internado

Leão XIV está no hospital, mas continua a governar a Igreja a nível mundial. Tem uma ala privada, a sua equipa a trabalhar lá e continua a tomar decisões diariamente.

João Francisco Gomes
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Com o Papa Leão XIV hospitalizado durante pelo menos uma semana na sequência da operação a um nódulo pulmonar e os boletins diários do Vaticano sobre a saúde do pontífice a trazerem de volta as memórias dos longos internamentos do Papa Francisco, regressa também a pergunta: como se gere a Igreja Católica numa situação destas?

Leão XIV está no Hospital Agostino Gemelli, famoso hospital em Roma que tem uma ala privada especificamente destinada ao Papa em caso de necessidade. Foi lá que João Paulo II passou um longo tempo após o atentado que sofreu em 1981 — e foi também lá que Francisco foi hospitalizado por várias vezes. Totalmente equipada com salas de serviço, gabinetes e outras instalações que permitem que o Papa e o seu séquito continuem a trabalhar durante uma hospitalização, a ala privada do Gemelli chegou a ser descrita por João Paulo II como o “terceiro Vaticano”, depois do Vaticano propriamente dito e de Castel Gandolfo, a residência de verão do Papa.

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Desta vez não será diferente. Segundo a imprensa italiana e até as declarações do irmão do próprio Papa, à exceção das três horas que passou dentro do bloco operatório, Leão XIV está acordado, consciente e totalmente funcional — pelo que, apesar de estar sob vigilância médica, continua a governar a Igreja Católica global. O facto de estar no hospital, porém, adiciona desafios e alterações à agenda.

Toda a agenda do Papa foi cancelada até, pelo menos, ao dia 20 de outubro, o que significou a desmarcação de todas as audiências privadas e públicas de Leão XIV e também mudanças no programa das celebrações do décimo aniversário da publicação da histórica exortação apostólica Amoris Laetitia, do Papa Francisco. Esta quarta-feira, por exemplo, a missa de encerramento destas comemorações, que devia ter sido presidida por Leão XIV na Praça de São Pedro, foi presidida pelo decano do Colégio Cardinalício, cardeal Luis Antonio Tagle, que leu a homilia escrita pelo Papa.

Mas a hospitalização do Papa obriga também à transferência de uma parte do aparelho do poder da Santa Sé para o hospital. Quando chegou ao hospital Gemelli, na terça-feira, Leão XIV foi acompanhado por Luigi Carbone, o médico oficial do Papa, que esteve dentro do bloco operatório a acompanhar a equipa médica que operou Leão XIV. Lá dentro esteve também o comandante da Gendermaria do Vaticano, Gianluca Gauzzi Broccoletti.

https://observador.pt/2026/10/14/papa-leao-xiv-passou-bem-a-noite-apos-operacao-a-nodulo-pulmonar/

Além disso, quando Leão XIV chegou ao hospital, já lá estava Petar Rajic, o arcebispo canadiano que este assumiu o cargo de prefeito da Casa Pontifícia — algo que se pode comparar ao cargo de chefe da Casa Civil do Presidente da República —, e os dois secretários particulares do Papa, o peruano Edgard Iván Rimaycuna Inga e o italiano Marco Billeri. Ao longo destes dias, o arcebispo e os dois secretários estarão pelo hospital a garantir o funcionamento regular do papado e a fazer a ponte com a Cúria Romana, isto é, com todos os departamentos que compõem o governo da Igreja Católica a nível global.

Ao mesmo tempo, as cinco freiras que habitualmente prestam serviço doméstico no Palácio Apostólico também farão turnos para estar no hospital, diz o Corriere della Sera.

Por outro lado, será expectável que o cardeal Pietro Parolin, secretário de Estado da Santa Sé e, na prática, o número dois da hierarquia do Vaticano, se desloque com frequência ao hospital — bem como outros altos dirigentes da Cúria Romana que necessitem de se encontrar com o Papa para despachar assuntos. A prova de que a gestão da Igreja continua sem alterações é que tanto na terça-feira como já esta quarta-feira, o Vaticano publicou o boletim diário com as decisões do Papa. Na terça-feira, antes da cirurgia, Leão XIV nomeou um bispo no Brasil e outro na Guatemala. Na manhã de quarta-feira, já depois da operação, nomeou mais um bispo no Brasil, e fez uma substituição de bispos na Eslováquia.

Leão XIV anunciou, no último domingo, que os médicos tinham detetado um nódulo no seu pulmão e que, por recomendação médica, havia decidido submeter-se a uma cirurgia. A operação decorreu na tarde de quarta-feira e, segundo o Vaticano, correu “com sucesso, dentro do tempo e

modo esperados”. Contudo, a cirurgia permitiu confirmar “o diagnóstico de adenocarcinoma pulmonar”, uma forma de cancro no pulmão. Leão XIV deverá estar no hospital pelo menos uma semana.