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(A) :: Paulo Rangel considera que "é útil haver agora uma revisão constitucional"

Paulo Rangel considera que "é útil haver agora uma revisão constitucional"

Ministro entende que um partido não pode condicionar revisão por não participar nela. "Nós não podemos ser democratas em função dos resultados".

Miguel Pinheiro Correia
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Sob o tema “Constituição, Política e Direito”, o ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros participou na aula inaugural da Faculdade de Direito da Universidade Católica do Porto. Durante a longa intervenção, Paulo Rangel destacou a necessidade de haver uma revisão constitucional no imediato.

“Eu acho que é útil haver agora uma revisão constitucional. Mais por razões parcelares, aqui ou ali, para resolver alguns problemas em que a Constituição está a ser um obstáculo efetivo, isto é, por mais interpretações abertas que a gente faça, não há possibilidade de ultrapassar aquele texto”, considerou, em resposta a um dos alunos presentes no auditório Ilídio Pinho.

À saída do evento, Paulo Rangel — que já apontou uma eventual revisão constitucional para a segunda metade desta legislatura “ou em 2027 ou a partir de 2027” — não prestou declarações aos jornalistas.

Ainda no palco, o ministro reconheceu a “fragmentação partidária” que permite que, pela primeira vez, seja possível uma revisão constitucional sem a participação do Partido Socialista (PS). “A fragmentação partidária é hoje uma característica da generalidade dos países europeus e não só”. “Os partidos que tradicionalmente faziam a revisão constitucional (…) não têm maioria suficiente sozinhos”. Além disso, destacou Rangel, “só há um partido indispensável” nessas contas: o PSD.

O ministro insistiu que “a vontade democrática deu estes resultados”, pelo que “não pode haver um partido, como há, a dizer que ‘se a revisão constitucional for feita por dois terços e eu não estiver lá, isso é inaceitável'”.

“Isso não pode acontecer. O que não quer dizer que não seja positivo que ele esteja lá, e que até é altamente recomendável, do meu ponto de vista, é”, reconheceu. “Nós não podemos ser democratas em função dos resultados”.

Para o ministro, as “novas tecnologias”, nomeadamente com a Inteligência Artificial, podem ser um motivo que justifique uma eventual revisão constitucional. “É uma questão que não está ali figurada, mas que é preciso compreender se as regras que nós temos de proteção digital são suficientes para garantir os direitos e liberdades”, justificou.

No entanto, Paulo Rangel acredita que “não vai haver nenhuma revisão constitucional que seja dramática”. “Portanto, é um pouco indiferente para quem vota e não vota”.