A startup norte-americana Character.AI declarou falência esta segunda-feira, revelando que iniciou o processo Chapter 11, que lhe confere proteção dos credores. Em comunicado, revelou que espera que este processo possa “facilitar uma venda que maximize o valor da totalidade ou da quase totalidade dos seus ativos”.
A Character.AI é um dos primeiros exemplos de uma plataforma de entretenimento com a inteligência artificial (IA) generativa. Criou um site em que é possível escolher diferentes opções de chatbot para conversar, que simulam conversas com personagens. Em alguns casos, é possível conversar com personagens de séries, filmes e muito mais.
Colin Adams, o CEO da Character.AI, afirmou que “ao longo do último ano” a empresa adotou “ações significativas para sustentar e melhorar o negócio perante as dificuldades significativas de natureza jurídica, regulamentar e operacional”. Depois de “uma análise exaustiva das alternativas disponíveis”, explicou que “o conselho de administração concluiu que este processo de venda supervisionado pelo tribunal oferece à empresa a melhor oportunidade de maximizar o valor para todas as partes interessadas”.
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Na documentação apresentada ao tribunal do Delaware, que ficará com este processo de venda, a Character.AI revelou ter entre ativos e passivos estimados entre 50 milhões e 100 milhões de dólares — 45 a 89 milhões de euros, respetivamente.
Durante este processo, a empresa quer continuar a operar, algo que inclui a manutenção da plataforma de chatbots, esperando “disrupções mínimas no serviço”. No entanto, admite que “se o processo de venda não resultar” a plataforma Character.AI será descontinuada.
A companhia espera que seja possível “fechar algumas transações entre o fim de novembro e o início de dezembro de 2026”.
No mesmo comunicado, a Character.AI revelou que fechou um acordo com a gigante Disney, que oferece 20 milhões de dólares (17,9 milhões de euros) para ficar com parte dos ativos. A Disney “atuará como licitante de referência para uma licença perpétua e não exclusiva sobre determinados direitos de propriedade intelectual” da Character.AI. O acordo prevê ainda que a Disney ajude com “serviços de transição”, por exemplo “recorrendo a antigos funcionários” da Character.AI.
A Character.AI tem uma história com a Disney. Em setembro de 2025, a gigante do entretenimento enviou uma carta de cessação e abstenção à Character.AI, em que alegou que a startup usava personagens Disney, Marvel e Star Wars numa “flagrante infração”. Após a carta, a Character.AI removeu as personagens Vaiana, Elsa, Darth Vader, entre outras, da plataforma.
No mês passado, a Disney voltou a cruzar-se com a startup. Anunciou a contratação do então CEO da empresa, Karandeep Anand, para ser o primeiro diretor de tecnologia da Disney, sinalizando a vontade de consolidar a marca na IA. Na altura do anúncio, foi ainda revelado que se esperava que uma “série de funcionários da equipa técnica da Character.AI” transitasse para a estrutura da Disney.
A Character.AI foi criada em novembro de 2021 por Noam Shazeer e Daniel de Freitas, dois engenheiros da Google. Um ano depois, quando foi lançado o ChatGPT, a startup ganhou atenção global. Além dos processos por infração de propriedade intelectual, também foi alvo de vários processos de famílias de adolescentes que se suicidaram ou automutilaram após interagir com os chatbots da plataforma.
Em janeiro, foi anunciado o acordo entre a Character.AI e a Google (processada por ser investidora) e as famílias dos jovens. Após alertas sobre como estaria a incitar à violência, a Character.AI baniu os menores de idade da plataforma.
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