O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, admitiu que navios marroquinos entraram nas águas de Ceuta por volta da mesma altura em que mais de 80 mil migrantes entraram na cidade.
No domingo, o El País noticiou que navios de guerra marroquinos entraram, sem autorização, nas águas de Ceuta no final de julho, o que terá motivado o destacamento de uma fragata da Marinha Espanhola para o local.
Em declarações aos jornalistas, citado pela agência de notícias espanhola Europa Press, Sánchez considera que foi um “facto pontual” e que a situação está a regressar à normalidade. No entanto, rejeita qualquer ligação com a crise migratória, e destaca que houve um “diálogo muito fluido” entre as marinhas dos dois países que impediu um novo incidente desta natureza.
Apesar dos “dias muito intensos” da entrada de migrantes, o primeiro-ministro espanhol destaca um “regresso à normalidade”, referindo a visita dos reis de Espanha a Ceuta e Melilla na terça e na quarta-feira.
A investigação do El País revelou que, pelo menos, uma fragata e vários navios-patrulha da Marinha de Marrocos entraram ilegalmente nas águas territoriais espanholas, em Ceuta, no final de julho. Segundo as fontes contactadas pelo jornal “não se tratou […] de um mero trânsito ou de uma entrada acidental, mas de uma violação intencional e repetida do mar territorial, da qual há pouco precedente“.
Este tipo de incidentes prolongou-se até ao início de agosto e, no meio de um ambiente de tensão, navios militares dos dois países correram o risco de colisão. O incidente terminou com a atuação da Marinha Espanhola e do Ministério da Defesa, a 3 de agosto, não tendo sido registados mais episódios do género desde essa data.