Duram apenas alguns milissegundos. Desenvolvem-se entre os 50 e os 90 quilómetros de altitude, na mesosfera. E apenas quando há trovoadas muito intensas. São vermelhos porque a sua descarga elétrica interfere com moléculas de azoto da atmosfera, que emitem essa luz essencialmente avermelhada. E pertencem aos fenómenos luminosos transitórios (TLE). Chamam-se sprites.
https://x.com/kleeposting/status/2109324594410913961
Se andou pelas redes sociais neste fim de semana, talvez lhe tenham surgido inúmeras imagens deste fenómeno. Nem todas são recentes. No início de setembro, apareceram fotos registadas em Espanha. E agora de França e da região de Nápoles, com imagens tiradas da Córsega. Parecem sempre iguais, e percebe-se o nome: estruturas com filamentos, ramificadas, que se prolongam para baixo e se assemelham a espíritos ou, mais realisticamente, a medusas. Os clarões podem abranger grandes áreas, até 100 quilómetros de diâmetro. Os seus filamentos podem ter até 60 quilómetros de comprimento.
https://x.com/elaifresh/status/2109452810878427409
A sua origem é simples de explicar: são descargas elétricas muito intensas entre as nuvens e o solo. Quase sempre relâmpagos de carga positiva. Mas são raros, porque é mesmo necessário que a tempestade seja muito intensa e tenha muita carga de energia. E ainda é mais rara a sua captação em foto ou vídeo, porque são extremamente rápidos, pouco luminosos e ocorrem acima das nuvens da tempestade e, por isso, fora do campo de visão de quem está por baixo das trovoadas.
https://x.com/ExpedienteOcult/status/2109656106792296913
A melhor forma de os fotografar é estar muito longe. Como estão a grande altitude, podem ser observados a centenas de quilómetros de distância. Se houver boa visibilidade, conseguem-se imagens deles a dançar no céu. Mas é preciso equipamento fotográfico suficientemente sensível. As primeiras fotos foram tiradas por cientistas em 1989. Depois a sua observação e estudo foram feitos através de observações a partir do solo, de aviões e de equipamentos instalados em veículos espaciais. E utilizam-se câmaras e sensores instalados a bordo da Estação Espacial Internacional. Em 2025, investigadores explicaram a origem dos impressionantes relâmpagos vermelhos observados sobre os Himalaias, em maio de 2022.
???? Fotografían impresionantes "espectros rojos" en el cielo nocturno de Córcega, Francia ???????????? ???????????? El fotógrafo Florian Riou captó el fenómeno a 522 km de la tormenta eléctrica que lo generó. ????️ "Son descargas en la alta atmósfera a más de 40 km de altura; duran un instante y requieren equipo especial", explicaron. #Francia #Corcega #EspectrosRojos #RedSprites #FenomenoNatural #Fotografia
— SDP Noticias (@sdpnoticias) October 12, 2026
O repórter fotográfico francês Florian Riou conseguiu grandes imagens a meio de setembro. E publicou um vídeo dos sprites a partir de Calvi, na Córsega. A tempestade estaria a cerca de 650 km de distância, na direção das Baleares e do sul de Espanha, Barcelona ou arredores. Riou explica, no LinkedIn, a dificuldade que teve para fotografar e filmar o fenómeno: a descarga aconteceu às 23h03.
https://www.youtube.com/shorts/apzpGG79azU
Riou planeou tudo antecipadamente. Face às previsões da trovoada para Espanha, a meio de setembro (de 16 para 17) sabia que seria uma sessão noturna. Teve sorte. As condições meteorológicas permitiam uma boa observação. Na fotografia e no vídeo vê-se uma igreja e as casas iluminadas de uma aldeia francesa, sobre as quais aparecem vários sprites vermelhos vivos. Tudo parece estar a acontecer sobre a aldeia, mas na verdade acontecia a grande distância, era uma questão de perspetiva, conta. As tempestades que deram origem aos sprites estariam a 500 a 700 quilómetros da câmara.
A imagem mais recente surgiu este domingo, dia 11. A foto também terá sido tirada na Córsega, e os sprites estariam por cima de Nápoles, a cerca de 522 km.
https://x.com/the_rot_rot/status/2109517737316020686
https://x.com/RoaaWarStudies/status/2109077999567953984
https://x.com/surajit_ghosh2/status/2109334070509625655