Há muito, um dos alvos prediletos de Donald Trump entre o Partido Democrata, a congressista Ilhan Omar viu a sua casa em Washington ser visada na última madrugada pelas autoridades norte-americanas no âmbito de uma investigação criminal por alegada fraude na documentação relacionada com a sua imigração para os Estados Unidos da América.
Segundo a Reuters e a Fox News, a operação das Investigações de Segurança Nacional — um ‘braço’ operacional do Departamento de Segurança Nacional — arrancou pelas 6h00 da manhã junto da casa da congressista nascida na Somália e muçulmana. Na base destas diligências estarão suspeitas em torno do preenchimento dos seus documentos pelo falecido pai quando Ilhan Omar era ainda criança à chegada a solo americano.
“Hoje, na área de Washington, D.C., as Investigações de Segurança Nacional executaram um mandado de busca autorizado judicialmente e obtido pelo Departamento de Justiça. Esta ação de fiscalização faz parte de uma investigação federal em curso”, indicou um porta-voz do Departamento de Justiça.
Numa publicação esta tarde na rede social X, Ilhan Omar reagiu finalmente às diligências e assegurou estar bem, mas a ser igualmente vítima de uma investigação com motivações políticas.
“Estou bem. Não se enganem: trata-se de uma tentativa de atacar inimigos políticos e de utilizar as forças da ordem federais como arma. Há dez anos que Trump me tem atacado com mentiras infundadas e campanhas de difamação. Esta é apenas a mais recente escalada na sua campanha de intimidação política. Não me calarão.”
Ilhan Omar já foi visada inúmeras vezes por Donald Trump, que rotula a congressista democrata como um risco para o Minnesota.
https://twitter.com/IlhanMN/status/2109675562344087792
Em fevereiro deste ano, por exemplo, o Presidente dos EUA disse que Omar e Rashida Tlaib, outra congressista democrata muçulmana, deveriam ser “internadas” e enviadas de volta para a sua terra, considerando que as duas não representam os EUA. Adicionalmente, Trump já se referiu inclusivamente aos somalis como “lixo”, no contexto da sua retórica anti-imigração.
A rusga em casa de Ilhan Omar acontece a cerca de três semanas das eleições intercalares de 3 de novembro — nas quais estão em jogo todos os lugares do Congresso e um terço do Senado — e para as quais os democratas parecem partir com algum favoritismo.
Paralelamente, Donald Trump já saiu em apoio do candidato republicano Mike Rogers, que persegue uma vaga no Senado pelo estado do Michigan contra o democrata Abdul El-Sayed, igualmente muçulmano e também apelidado pelo Presidente como “simpatizante do terrorismo” ou “extremista radical”.
De acordo com Ilhan Omar, as posições e os comentários de Trump já se traduziram em inúmeras ameaças de morte e até a uma tentativa de ataque cometida por um cidadão norte-americano, que atirou vinagre sobre a congressista democrata e acabou em setembro por ser condenado a um ano e dois meses de prisão. Para a representante democrata do Minnesota, Trump já manifestou “uma obsessão doentia e assustadora”.
(Notícia atualizada às 17h43 com reação de Ilhan Omar)