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(A) :: Chefe da Polícia de Londres quer mais agentes oriundos de minorias étnicas e defende que "inclusão é uma necessidade operacional"

Chefe da Polícia de Londres quer mais agentes oriundos de minorias étnicas e defende que "inclusão é uma necessidade operacional"

Comissário Mark Rowley quer diminuir o fosso de representatividade entre os elementos da força de segurança e a população londrina, garantindo não ter qualquer interesse em "guerras culturais".

João Paulo Godinho
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‘Não’ às guerras culturais, ‘sim’ a mais agentes oriundos de minorias étnicas. É esta a máxima do comissário da Polícia Metropolitana de Londres, Mark Rowley, que anunciou um novo concurso de recrutamento para a força de segurança e garantiu estar preparado para eventuais ataques políticos, mas sem deixar de enfatizar que a “inclusão é uma necessidade operacional”.

Segundo o jornal The Guardian, existe um fosso de representatividade e inclusão entre a Polícia Metropolitana e a população de Londres, dado que somente 18% dos agentes são provenientes de minorias étnicas, enquanto 46% dos habitantes da capital britânica descendem de minorias étnicas. E para Mark Rowley, um policiamento eficaz da cidade depende da confiança das pessoas nos agentes da polícia que podem encontrar pela frente.

“Não podemos policiar Londres de forma eficaz se não conseguirmos recrutar pessoas de toda a cidade. (…) Um policiamento eficaz depende da inclusão. Se estamos empenhados num policiamento por consentimento, cujo sucesso ou fracasso depende da confiança de todas as comunidades, não podemos prescindir dela”, referiu o comissário.

As políticas de diversidade, equidade e inclusão em várias instituições tem sido atacadas por forças políticas de extrema-direita, que censuram um suposto favorecimento das minorias em relação a candidatos brancos. Nesse sentido, a polícia londrina já foi acusada de ser “politicamente correta”. Por outro lado, vozes no quadrante político mais à esquerda criticaram anteriormente as entidades por não irem mais longe nas suas iniciativas de inclusão e igualdade.

“Uma força de trabalho inclusiva não é um exercício de relações públicas. Torna-nos mais eficazes na proteção das vítimas, na captura de criminosos e na prevenção do crime”, resumiu Mark Rowley, lamentando o extremar do debate em torno desta questão e optando por uma visão mais pragmática: “A toxicidade em torno do debate sobre a diversidade, equidade e inclusão é horrível. Muitos líderes, tanto no setor público como no privado, estão a fugir do assunto. Penso que os líderes precisam de se posicionar e apresentar argumentos práticos. Temos de fazer o que funciona para o policiamento de Londres.”

Já em relação a críticas sobre um suposto facilitismo no processo de recrutamento especialmente direcionado para minorias étnicas, o comissário da Polícia Metropolitana de Londres desmentiu esse cenário. “Alguns argumentarão, erradamente, que recrutar membros de comunidades sub-representadas significa baixar os padrões. Não é verdade e estão errados”, vincou.

O responsável pela polícia londrina assegurou ainda que não se vai deixar “desviar do rumo pelas guerras culturais” e que não vai alimentar essa polémica.

“Hoje, estamos a lançar uma grande campanha de recrutamento. Não temos qualquer interesse na política e nas ideologias das guerras culturais. A inclusão é uma necessidade operacional. Não podemos ser eficazes se grandes setores da sociedade não confiam em nós, não colaboram connosco ou não vêem o policiamento como um serviço que compreende as suas experiências”, concluiu.