(c) 2023 am|dev

(A) :: Milhares de indianos nas ruas para pedir demissão do chefe da comissão eleitoral

Milhares de indianos nas ruas para pedir demissão do chefe da comissão eleitoral

Movimento "Baratas", criado online para unir a indignação da Geração Z, exige demissão do presidente da comissão eleitoral da Índia, que acreditam estar a beneficiar o primeiro-ministro Narendra Modi.

Agência Lusa
text

Milhares de manifestantes concentraram-se esta segunda-feira no centro de Nova Deli, sob forte vigilância policial, para exigir a demissão do presidente da comissão eleitoral da Índia, que acreditam estar a beneficiar o primeiro-ministro, Narendra Modi.

Há várias semanas que a oposição e o movimento “Baratas”, criado online para unir a indignação da Geração Z, estão mobilizados contra uma revisão das listas eleitorais por a acharem pouco transparente e nada imparcial.

A revisão foi iniciada em 2025 pela comissão e resultou na exclusão de cerca de 130 milhões de eleitores registados, segundo relatos dos meios de comunicação social.

Lançado para remover duplicados, pessoas falecidas e aqueles que cometem fraudes das listas eleitorais, o procedimento é suspeito de visar principalmente minorias, particularmente muçulmanos, em grande benefício do Partido Bharatiya Janata (BJP) de Modi, o que lançou dúvidas sobre várias das suas recentes vitórias em eleições locais.

A comissão eleitoral e o seu presidente negaram qualquer irregularidade no procedimento. No sábado e no domingo, as forças de segurança realizaram milhares de detenções – mais de 20 mil, segundo a imprensa local – para impedir os manifestantes de protestar nas ruas da capital indiana.

Os protestos transformaram-se numa revolta generalizada contra o Governo ultranacionalista hindu de Modi, acusado de deriva autoritária desde que chegou ao poder, em 2014.

Na linha da frente da revolta, o líder da oposição, Rahul Gandhi, apelou esta segunda-feira aos seus apoiantes para marcharem até ao Supremo Tribunal.

“Queremos mostrar ao mundo que Modi está a proteger Gyanesh Kumar”, disse o membro do Partido do Congresso aos jornalistas, referindo-se ao presidente da comissão eleitoral. “Esta não é uma batalha de um dia, não vamos parar até que a Constituição seja respeitada”, garantiu.

Durante todo o fim de semana, as ruas do centro de Deli permaneceram bloqueadas, o trânsito foi proibido, os transportes públicos foram suspensos e a internet móvel foi bloqueada para impedir o protesto organizado pelas “Baratas”.

Criado em maio, o Partido Popular das Baratas surgiu online como um movimento de indignação dos estudantes indianos contra o sistema educativo e em resposta a uma declaração do presidente do Supremo Tribunal que comparou os jovens desempregados a baratas.

Desde então, o movimento consolidou-se como uma voz de oposição contra Modi.

“O que torna Gyanesh Kumar tão indispensável para Modi ao ponto de ele estar disposto a declarar guerra a todos?”, questionou o fundador do movimento, Abhijeet Dipke.

Dipke e outros dois dirigentes do novo partido foram detidos no sábado, à chegada a Nova Deli, e mantidos sob custódia durante 24 horas.

“Modi é uma vergonha para a Índia”, escreveu o líder dos “Baratas” imediatamente após a sua libertação, adiantando que “o país nunca conheceu um cobarde pior”.

Tal como a oposição parlamentar, o partido da Geração Z prometeu continuar a mobilização até à saída do presidente da comissão eleitoral.

Uma anterior mobilização dos manifestantes, realizada em julho nas ruas de Nova Deli, obrigou à demissão do ministro da Educação, considerado responsável por fraudes recorrentes nos exames universitários.

Esta crise foi amplamente vista como uma derrota para Narendra Modi, forçado a ceder aos protestos de rua pela primeira vez desde 2014.