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Sismo no Panamá. Mais de 1.200 casas e 419 escolas danificadas. Governo promete mais de 80 milhões de euros em ajuda de emergência

Dois dias após o sismo de magnitude 7,7, o Panamá contabiliza 27 feridos, sem mortos. Populações estão sem água, luz e alimentos. Governo disponibilizou 86 milhões de euros para a reconstrução.

Manuel Nobre Monteiro
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Mais de 1.200 casas foram afetadas pelo sismo de magnitude 7,7 que atingiu o Panamá na sexta-feira, segundo o balanço divulgado pelo Governo este domingo. De acordo com a imprensa local, as províncias de Coclé, Herrera, Los Santos e Veraguas estão entre as mais afetadas, com casas destruídas, estradas danificadas e habitantes com dificuldades no acesso a água potável, eletricidade e alimentos. O balanço oficial não regista mortos e contabiliza 27 feridos ligeiros em todo o país.

Os estragos estendem-se a edifícios públicos e infraestruturas. O Ministério da Educação contabilizou 419 escolas afetadas, 17 das quais em Veraguas ficaram totalmente destruídas. Segundo a Proteção Civil, também foram afetados sete hotéis, pelo menos 13 igrejas e nove pontes. Na cidade de La Villa de Los Santos, a cerca de 64 quilómetros a nordeste do epicentro, ruíram casas e uma igreja católica histórica.

Em Malena, uma vila costeira na província de Veraguas, os moradores continuam sem regressar a casa, com receio de um tsunami. Desde o sismo, refugiaram-se numa zona elevada, onde improvisaram abrigos com lonas e tendas. “Estamos aqui numa zona alta, onde nos refugiámos por medo de um tsunami”, contou Samuel Fuentes ao La Prensa, explicando que pediu ajuda para ter acesso a bens essenciais, como leite, pão, café, água e fraldas para crianças.

Segundo Fuentes, mais de 12 casas ficaram completamente destruídas e 80% das habitações da comunidade apresentam fissuras. As autoridades confirmaram a existência de casas totalmente destruídas em Malena e noutras localidades de Mariato, incluindo Torio, Llano de Catival e La Yiya. Na ilha de Caña, no distrito de Tonosí, cerca de 300 pessoas foram retiradas das suas casas devido à subida do nível do mar, depois de terem sido emitidos alertas de tsunami em vários países da costa do Pacífico, entretanto levantados.

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Os danos nas estradas estão também a dificultar a chegada de ajuda às populações. O ministro das Obras Públicas, José Luis Andrade, afirmou que cerca de cinco quilómetros da estrada de acesso a Mariato ficaram danificados e que seis pontes estão a ser avaliadas para reparação. Em Malena, o sismo também danificou as condutas de água, que abastecem a população, e deixou a comunidade sem eletricidade.

Em Tonosí, onde se situou o epicentro do sismo, vários comerciantes queixam-se da falta de água potável, eletricidade e alimentos. Um representante dos pequenos empresários locais afirmou ao La Prensa que algumas famílias não têm sequer água para as necessidades básicas e que, embora tenha chegado alguma ajuda privada, o apoio do Governo ainda não conseguiu chegar a determinadas zonas.

O Governo declarou o estado de emergência nacional no sábado e disponibilizou cerca de 86 milhões de euros para responder à situação. O secretário de Metas do Governo, José Ramón Icaza, explicou que o dinheiro será retirado dos orçamentos de 2026 e de parte de 2027. Se os fundos não forem utilizados na totalidade, o montante restante regressará aos cofres do Estado.

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A distribuição de alimentos às famílias afetadas deverá começar esta terça-feira, com entregas porta a porta, segundo Nilo Murillo, diretor do Instituto de Comercialização Agrícola. As autoridades anunciaram também que já foram transportadas aproximadamente 28 toneladas para as zonas atingidas.

Na área da saúde, o ministro Fernando Boyd Galindo anunciou que o Hospital Aquilino Tejeira, em Penonomé, deverá voltar a funcionar nas instalações habituais nas próximas horas, depois de os serviços terem sido transferidos para tendas no exterior por razões de segurança. No Hospital Santo Tomás, os danos na unidade de hemodiálise foram resolvidos de forma a permitir que cerca de 405 doentes recebam tratamento nos dois dias seguintes.