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(A) :: Até contra os que estão mal o United faz questão de ser pior: Tottenham resgata empate com menos um nos descontos

Até contra os que estão mal o United faz questão de ser pior: Tottenham resgata empate com menos um nos descontos

Tottenham foi melhor durante 60', falhou várias oportunidades e acabou por ser o United a crescer e a chegar ao golo. Problema? Até com mais um em campo red devils sofreram empate nos descontos (1-1).

Bruno Roseiro
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Ia ser tudo diferente, afinal não passou de mais do mesmo – e isso era aplicável tanto a Manchester United como ao Tottenham, que foram as duas principais deceções da Premier League no primeiro ciclo da época antes da paragem para compromissos das seleções. Sim, o Arsenal teve um deslize inesperado. Sim, apesar de tudo o Liverpool demora a arrancar pelo potencial que tem. Sim, o Chelsea continua a sofrer muitos golos. Sim, o Aston Villa mantém o processo de reformatação da equipa depois da saída de alguns dos habituais titulares. Ainda assim, era nos red devils e nos spurs que estavam todas as atenções depois de várias semanas em que só se falou de um clube: o líder invicto Manchester City e o caso que pode ser um “terramoto”.

Coincidência ou não, a antecâmara do regresso das provas de clubes acabou por ser marcada pelas análises à acusação aos citizens por uma comissão independente de violações graves das regras financeiras da Premier (em 115, só foram absolvidos… de uma). E todos reivindicavam aquilo que podia ter sido seu, quase que a fintar aquilo que também podiam estar a fazer agora e que não conseguem por demérito próprio.

“Tenho as minhas próprias dúvidas sobre o assunto. Afetou-me pessoalmente de diferentes formas ao longo do tempo. Mas, pelo rumo que o caso está a tomar, não sei em que ponto se encontra nem como vai terminar. Portanto, teremos apenas de esperar para ver. O que digo é que, quanto mais depressa for resolvido, considero essencial para o benefício de todos. Independentemente de tudo, uma medalha, em qualquer modalidade na história, por vezes recebe-se mais tarde e isso foi provado em diferentes momentos. Aquele é o momento pelo qual se luta, para vencer e conquistar naquele instante. Por isso, a medalha aqui ou ali, sem desvalorizar, não traz a sensação de ter ganho ou não inicialmente. É essencialmente por isso que todos estamos nisto”, apontou Michael Carrick, técnico do United e antigo jogador em alguns desses anos.

“O que quer dizer com essa pergunta? Manchester City, quer chegar ao Manchester City? Ouça, eu era maluco quando era jogador. Não me lembro dos meus pensamentos [daquela época]. Quando és jogador não pensas muito, e quando és treinador é o mesmo, porque o foco está nos teus atletas. Especialmente agora que estamos no fundo da tabela…”, comentou Roberto De Zerbi, que apesar de ter pedido para que não fossem colocadas questões sobre o caso acabou por responder quando foram recordados os tempos em que era jogador do Nápoles e a Itália foi abalada pelo Calciopoli que levou à despromoção da Juventus.

Todos têm a sua (legítima) opinião, agora chegavam os factos. E os factos apontavam de forma clara para o momento menos conseguido de ambos os conjuntos: o Manchester United, que começou a Premier League com uma derrota frente ao Hull City, tinha apenas um triunfo em cinco jogos; o Tottenham, que fez todo um investimento recorde acima dos 400 milhões de euros, esteve os quatro primeiros jogos sem marcar e ainda procurava o primeiro triunfo na prova depois de dois empates e três derrotas. Era por isso que uma vitória era tão importante para os dois conjuntos sob pena de haver um adensar da crise que atravessavam.

Nesse contexto, só mesmo o Tottenham percebeu a importância da partida no início. Aliás, só existiu mesmo Tottenham nos primeiros 20 minutos, que foram dobrados com um remate perigoso de Kudus ao lado após uma grande defesa de Lammens a abrir depois de um passe errado que ficou nos pés de Solanke: muito mais bola, a ganhar quase todos os duelos, a bloquear por completo a construção do United (que podia estrear Carlos Baleba) apagando a figura de Bruno Fernandes, com 5-0 em remates nesse período. O intervalo chegou mesmo sem golos mas com Carrick a ter muito mais para corrigir do que De Zerbi, que podia apenas lamentar a falta de eficácia da equipa em zonas de finalização entre a exibição inspirada de Lammens.

O segundo tempo começou com esse filme repetido, entre uma bola de Sávio que foi salva em cima da linha de golo e um desvio de Solanke que saiu por cima. De Zerbi estava à beira de um ataque de nervos e não iria ficar melhor com o passar dos minutos: o Manchester United foi começando a crescer na partida com as substituições feitas por Carrick e com o aparecimento de Bruno Fernandes no encontro, começou a empurrar a equipa londrina para o seu meio-campo e chegou mesmo ao golo perto do quarto de hora final, numa assistência de Matheus Cunha para Mbeumo que recebeu, rodou e atirou de pé esquerdo para o 1-0 (74′). O jogo entrou depois numa fase mais quezilenta, com Betancur, que tinha entrado no segundo tempo, a ser expulso após agredir Luke Shaw num lance em que vários jogadores andaram embrulhados. Tudo parecia ter chegado ao fim mas o United fez questão de voltar a ceder quando menos se esperava, com Solanke a ganhar na área a Lisandro Martínez e a fazer o empate do Tottenham com menos um nos descontos (90+2′).