Os Estados Unidos da América (EUA) anunciaram, esta sexta-feira, um novo pacote de sanções contra o Tribunal Penal Internacional (TPI), horas depois de uma antiga juíza do órgão jurídico — Navanethem Pillay — ter vencido o Prémio Nobel da Paz.
Num comunicado publicado pelo Departamento de Estado, Marco Rubio indicou que o Presidente Trump “nunca vai permitir que o Tribunal Penal Internacional investigue norte-americanos”. “É por isso que hoje [sexta-feira] os Estados Unidos estão a sancionar o Tribunal Penal Internacional. Vamos banir transações com este tribunal desonesto, cortar os seus recursos e paralisar a sua capacidade de operar”.
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O secretário de Estado disse que a Casa Branca tem tido a esperança de que o TPI “mudasse de rumo” ou “fosse contido” pelos seus Estados-membros. Isso não aconteceu e Marco Rubio veio declarar: “Ou o TPI põe fim às suas ameaças, ou nós poremos fim ao TPI. Esperamos que os nossos aliados — muitos dos quais fazem parte do TPI e dependem dos militares norte-americanos para a sua defesa — ponham travão ao tribunal”.
“Se não o fizerem, os Estados Unidos continuarão a sua campanha para desmantelar o TPI, tijolo a tijolo, até que os americanos deixem de estar ameaçados”, avisou Marco Rubio.
Segundo apurou a Associated Press, estas sanções já estariam a ser planeadas há algum tempo. No entanto, são anunciadas horas após Navanethem Pillay ter vencido o Prémio Nobel da Paz, que Donald Trump nunca escondeu que deseja vencer. A galardoada de 2026 já foi nomeada como presidente do Tribunal Penal Internacional para os crimes no Ruanda.
Por sua vez, o TPI já reagiu à decisão de Marco Rubio, declarando que as sanções impostas pelos Estados Unidos à instituição constituem um ataque ao direito internacional e alertou: “A História julgará este momento”.
Para a instância judicial que julga os crimes mais graves do mundo — crimes de guerra, crimes contra a humanidade e genocídio —, as sanções impostas pelos Estados Unidos são “um ataque ao Estado de direito e aos próprios fundamentos da ordem jurídica internacional, que desfere um golpe no princípio fundamental de que ninguém está acima da lei”.
Vários países saem em defesa do TPI. Israel critica
Vários países e a União Europeia saíram em defesa do TPI. A Comissão Europeia condenou as sanções dos Estados Unidos e afirmou que vai trabalhar com o órgão para “garantir que continue a funcionar eficazmente” e que possa cumprir a sua “missão vital”. “A União Europeia tem sido uma defensora constante do Tribunal Penal Internacional. É profundamente lamentável que os Estados Unidos tenham anunciado intenções de impor sanções”, condenou o órgão comunitário, em comunicado.
Além disso, Alemanha, Canadá, Dinamarca, França, Itália, Japão, Países Baixos e Reino Unido demonstraram apoio à “independência, imparcialidade e integridade” do Tribunal Penal Internacional (TPI) e condenaram as sanções norte-americanas. Do mesmo modo, avisam que a aplicação das sanções vai ter um impacto negativo no TPI.
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“Se colocadas em vigor, essas sanções terão um impacto significativo no trabalho do Tribunal, no seu pessoal dedicado e nas suas famílias. Trabalham todos os dias para levar os acusados dos mais graves crimes internacionais à justiça e para apoiar as suas vítimas”, referem os oito países, num comunicado conjunto.
Também o secretário-geral da ONU criticou a ação de Washington. António Guterres argumentou que as sanções “desferem um duro golpe na ação coletiva em prol da justiça penal internacional” e disse estar “profundamente alarmado” com o impacto que podem vir a ter. O seu porta-voz Stéphane Dujarric vincou ainda o apoio do líder das Nações Unidas ao TPI.
Em sentido inverso, Israel veio aplaudir as sanções norte-americanas. O gabinete do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu declarou que o “TPI não é um tribunal”. “É um corpo político que representa uma ameaça mortal para as democracias que cumprem a lei em todo o mundo e para a própria ideia de soberania nacional”, lamentou.
Prime Minister Benjamin Netanyahu: I commend President @realDonaldTrump and @SecRubio for taking this critical decision to sanction the ICC. The ICC is not a court. It is a political body that poses a mortal threat to law abiding democracies worldwide and to the very idea of national sovereignty. Thank you for your leadership.
— Prime Minister of Israel (@IsraeliPM) October 9, 2026