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ModaLisboa: Sardinhas, streetwear, forma e cor nas coleções dos cinco finalistas do Sangue Novo

Dos dez novos designers a abrirem a passerelle da ModaLisboa, cinco seguem para a próxima edição. As propostas mostram abordagens mais maduras em coleções prontas para o consumidor final.

Sâmia Fiates
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João Porfírio
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Como é tradição, os trabalhos na passerelle do Pátio da Galé abrem sempre com o Sangue Novo, que nesta edição de outubro foca-se em encontrar os cinco finalistas. Um concurso para novos designers, mas que neste ano contou com repetentes e coleções já bastante maduras, elevando o tom experimental de muitas criações apresentadas neste contexto. Veja na galeria as propostas de todos os dez concorrentes.

É o caso de Ronaldo Pina, que levou à passerelle um pouco da influência da sua ascendência cabo-verdiana, sob a marca Ronni. Numa proposta streetwear, aposta em volume, desfiados e cordas, cores que variam entre os castanhos e beges, com espaço também para o roxo, em peças que parecem prontas para o mercado. Numa segunda volta no Sangue Novo, Élio Ramos apresenta a sua marca própria, Elio, numa narrativa mais madura, também com peças prontas para chegarem ao consumidor. Com peles, ganga e malha, a proposta é, da mesma forma, assumidamente streetwear masculino.

Marta Estrela é o nome por trás da Granatum. Licenciada em Design de moda pela ESAD de Matosinhos, foi buscar ao mar a inspiração e a matéria prima — das conchas de mariscos que permeiam um vestido às sardinhas que servem de botões para outro coordenado. Listas estilo marinheiro misturam-se com uma espécie de tweed de retalhos, em silhuetas mais clássicas.

Com uma passagem pelo curso de arquitetura da Universidade de Lisboa, antes de ingressar no Modatex to Porto, Francisco Martinho usa os tecidos estruturados e o corte para chegar a formas, volumes e movimento. A cor transforma-se com os cortes a laser e as transparências, em peças que transparecem um aspeto de costuras ainda por rematar. Também a priorizar as formas e volumes, em peças mais escultóricas, vem Marta Amorim. Com experiência profissional de marketing em eventos de moda, passando pelo styling, chegou ao design de moda licenciando-se também no Modatex do Porto em 2026. Na passerelle, apresentou uma paleta entre os laranjas, verdes, roxos e azuis, com tecidos estruturados em que o corte e a modelagem criam novas formas e volumes e cordões a transmitir movimento.

Estão em jogo duas bolsas de formação para os cursos de verão Fashion Trend Forecasting and Styling e Fashion Brand Management no IED Firenze, ambos com a duração de três semanas e início em julho de 2027, além de prémio de dois mil euros para cada pessoa vencedora. Um dos finalistas também será premiado com uma residência criativa de um mês na Burel Factory, e todos recebem assessoria de imprensa e showroom da Showpress.

Os vencedores serão conhecidos na edição de março, depois de apresentarem as suas coleções mais trabalhadas ao longo dos próximos meses. Serão escolhidos pelo júri composto por profissionais de diferentes áreas do mercado da moda. São eles Miguel Flor, vencedor Sangue Novo em 1996 e diretor criativo e editor-in-chief da revista ModaPortugal; Lidija Kolovrat, que faz parte do calendário da ModaLisboa com a sua marca própria, criada em 1990; Joana Jorge, gestora de projetos na associação ModaLisboa; Adriano Batista, editor-in-chief da revista de Moda e lifestyle masculina, Fucking Young!; Umberto Sannino, Head of Fashion School do IED Milano e Mafalda Fialho, designer de moda da Burel Factory.