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Fuzilamento de ex-militar que matou 13 pessoas será transmitido em direto. Vance admite que não vai assistir

Vai ser a primeira execução de um militar desde 1961 e primeira pública em mais de 80 anos. Anúncio foi condenado a nível nacional e internacional, e Vance admite não assistir.

Ricardo Reis
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O fuzilamento do ex-militar norte-americano Nidal Hasan, que matou 13 pessoas numa base militar no Texas, em 2009, será transmitido em direto, via livestream. A informação foi confirmada pelo Pentágono, após o secretário da Defesa, Pete Hegseth, ter afirmado que a execução seria “pública”.

“Vamos garantir que as pessoas conseguem vê‑la, que é pública”, afirmou Hegseth no canal conservador Real America’s Voice, citado pela Associated Press. No entanto, desconhece-se em que tipo de plataforma será transmitida.

Nidal Hasan será fuzilado no dia 3 de dezembro, em Fort Hood, no Texas, e esta será a primeira execução militar desde 1961 e a primeira pública nos Estados Unidos desde 1936. Hasan matou 13 soldados norte-americanos desarmados em Fort Hood, em 2009, enquanto gritava “Allahu Akbar” durante o ataque, tendo sido condenado em 2013. Na segunda-feira, Trump autorizou a execução do ex-militar por fuzilamento, uma escolha “recomendada” por Hegseth.

https://observador.pt/2026/10/06/trump-ordena-morte-por-fuzilamento-a-ex-militar-que-matou-13-pessoas-no-texas-sera-a-primeira-execucao-militar-desde-1961/

O anúncio foi condenado tanto nos Estados Unidos, como a nível internacional. O vice-presidente JD Vance admitiu que a transmissão em direto pode não acontecer, mas, se a execução for transmitida, não vai assistir.

“Não sei se isso vai acontecer”, admitiu aos jornalistas, numa conferência de imprensa em Ohio. “Se for transmitido ao vivo, não vou assistir”, concluiu.

https://twitter.com/clashreport/status/2108608950375477583

O congressista democrata Adam Smith, coordenador do grupo parlamentar na comissão das Forças Armadas da Câmara dos Representantes, afirmou ao Politico que a execução pública “ridiculariza” o sistema legal norte-americano e recusa fazer do evento “um espetáculo”.

Mesmo entre os republicanos no Congresso, o anúncio não foi bem recebido. O senador Thom Tillis escreveu nas redes sociais que, apesar de concordar com a condenação, a sua transmissão em direto é “nojenta” e afirmou que as execuções públicas “são o que fazem as ditaduras opressivas como o Irão e o Afeganistão”. Estes são os dois únicos países que transmitem execuções, mas em diferido, refere a BBC.

https://twitter.com/SenThomTillis/status/2108378850770014334

Volker Türk, Alto Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, afirmou à Agence France-Presse que a transmissão em direto “equivale a uma execução pública e violaria a proibição absoluta de tortura”.

Elisabeth Semel, co-diretora da Death Penalty Clinic da Faculdade de Direito de Berkeley, da Universidade da Califórnia, alertou a Associated Press que a execução levanta uma série de questões jurídicas e políticas, mais concretamente a dignidade do réu e a motivação da administração Trump para transmitir a execução.

“Este é um Presidente focado no espetáculo e isso é, eu acho, precisamente a mensagem que ele pretende passar”, afirmou.

(Atualizado às 19h12)