Os dois maiores sindicatos na Bélgica, a Confederação dos Sindicatos Cristãos e a Federação Geral do Trabalho da Bélgica, organizaram uma manifestação para esta sexta-feira, para protestar contra as medidas do Governo belga, que preveem cortes no próximo Orçamento do Estado, sob o lema “Do nosso bolso, não”. Em Bruxelas, onde mais de 30 mil pessoas saíram às ruas, registaram-se confrontos entre os manifestantes e a polícia, que resultaram em mais de cem detenções.
Como descreve a imprensa belga, os tumultos eclodiram por volta das 10h30 (menos uma hora em Lisboa) em redor da Estação Central de Bruxelas. Centenas de jovens mascarados de negro entraram em confronto com a polícia e atiraram garrafas de vidro, pedras e lixo para os agentes de segurança, que responderam com canhões de água e gás lacrimogéneo.
Além disso, foram vandalizados quatro autocarros da rede de transportes regional STIB, empresa cujos trabalhadores participaram também hoje na greve interprofissional convocada pelos sindicatos. A polícia procedeu a cerca de 30 detenções judiciais (pessoas formalmente detidas e investigadas por crimes específicos) e 80 detenções administrativas (efetuadas para conter distúrbios e com uma duração máxima de 12 horas).
Num comunicado divulgado esta sexta-feira, a polícia de Bruxelas explicou que tudo começou quando “várias centenas de jovens se reuniram junto dos manifestantes”. “O ambiente foi ficando gradualmente tenso e ocorreram distúrbios significativos da ordem pública. Para restabelecer a segurança dos cidadãos, manifestantes e serviços de emergência, a polícia interveio de forma direcionada com canhões de água e gás lacrimogéneo”, indicam as forças de segurança.
Mascarados de Batman, Teletubbies ou Homem-Aranha, como descreve o canal estatal RTBF, vários jovens incendiaram bicicletas na Place de l’Albertine, uma das zonas mais turísticas da capital belga — o que causou uma nuvem de fumo. Muitos gravavam os atos de vandalismo.
Fora destes tumultos, os sindicatos que organizaram as manifestações para contestar os planos do Executivo belga avançaram que cerca de 50 mil pessoas saíram às ruas esta sexta-feira. Os números da polícia dão conta de pelo menos 30 mil manifestantes.
Estes protestos surgem em plena negociação do Orçamento do Estado para 2027, numa altura em que o Governo do primeiro-ministro, Bart De Wever, procura cerca de 10 mil milhões de euros adicionais para as contas federais e precisa de definir as medidas num chamado “conclave orçamental”, uma negociação à porta fechada entre os líderes da coligação.
Trata-se da quarta manifestação nacional do ano, depois da de maio, e junta-se a uma onda de protestos contra a política governamental que incluiu uma greve de três dias em novembro passado. A ela juntaram-se professores e alunos que protestam contra os cortes na educação da Federação Valónia-Bruxelas, governada pelo partido liberal MR e pelos conservadores do Les Engagés.