Os dois cidadãos portugueses detidos esta quinta-feira pelas Forças de Defesa de Israel (IDF, sigla inglesa) em Rantis, na Cisjordânia, só deverão chegar a Portugal no sábado, avançou a Lusa, citando fonte oficial do Ministério dos Negócios Estrangeiros.
Na manhã desta sexta-feira, numa nota enviada ao Observador, o Ministério estimava que os dois cidadãos deveriam chegar a Portugal ainda esta sexta-feira. “Houve necessidade de alterar a forma de regresso dos cidadãos nacionais e, assim sendo, a viagem deverá ser feita só amanhã [sábado]”, disse a fonte à Lusa, confirmando que os dois portugueses virão de avião.
O ministério tutelado por Paulo Rangel adiantou que a Embaixada de Portugal em Telavive tem estado em contacto com as autoridades israelitas. Os dois portugueses encontram-se “bem, concordaram com a deportação e não foram alvo de qualquer violência física“. Ambos os portugueses já foram visitados hoje em Telavive pela representação diplomática portuguesa.
Os dois cidadãos, um deles jornalista, foram detidos durante a campanha da colheita da azeitona, na região de Ramallah e al-Bireh. Na manhã desta sexta-feira, grupos ativistas portugueses nas redes sociais publicaram um vídeo em que um homem fala com militares israelitas, identificando-o como um dos dois cidadãos portugueses detidos. “Uma das pessoas é Fred, que reporta desde 2025 a opressão, crimes e violência que o estado sionista comete contra pessoas palestinianas”, lê-se na legenda do vídeo.
A polícia israelita justifica as detenções com “suspeitas de [os dois cidadãos estrangeiros] apoiarem o movimento BDS e se identificarem com organizações terroristas”. O BDS (Boycott, Divestment, and Sanctions) é um movimento fundado em 2005 que tem como objetivo “acabar com o apoio internacional à opressão de Israel sobre os palestinianos”, recorrendo a pressão económica, cultural e política e a ferramentas não violentas.
“Eles são suspeitos de pretenderem provocar confrontos e desordem pública, assim como de promoverem campanhas da imprensa anti-Israel e de as amplificarem a nível internacional”, pode ler-se no comunicado da polícia israelita.
https://observador.pt/2026/10/08/um-jornalista-entre-os-dois-portugueses-detidos-pelas-forcas-de-israel-na-cisjordania-mne-acompanha-situacao/
Após a detenção, a diplomacia portuguesa afirmou que “a Representação de Portugal em Ramallah [estava] a acompanhar de perto a situação, em contacto com as autoridades israelitas”. O Sindicato dos Jornalistas, em comunicado, assegurou também estar a acompanhar a situação “com enorme preocupação” e que está em contacto com os representantes legais do jornalista, que não foi identificado.