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(A) :: Crianças retiradas às famílias são internadas em hospitais por falta de respostas sociais. E casos estão a aumentar

Crianças retiradas às famílias são internadas em hospitais por falta de respostas sociais. E casos estão a aumentar

Tribunais mandam internar menores por tempo indeterminado em hospitais por falta de vagas em instituições sociais. Há crianças que ficam dois anos internadas, sem sair. Médicos consideram ilegal.

Joana Moreira
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Há cada vez mais crianças a viver internadas nos serviços de pedopsiquiatria sem necessidade de tratamento hospitalar, mas apenas por não haver vagas em instituições sociais. A notícia é avançada pelo jornal Expresso, que revela como em Lisboa e Vale do Tejo estes casos correspondem já a 25% das camas de internamento.

Escreve o semanário que se trata de casos de crianças “muitas vezes com défice cognitivo, autismo ou problemas emocionais e de comportamento decorrentes de experiências traumáticas” que foram rejeitadas pela família ou retiradas aos pais para sua proteção. Como não têm vaga em instituições de acolhimento residencial, os tribunais mandam-nos internar nos hospitais por tempo indeterminado, enquanto se aguarda por uma solução. Há casos de crianças que chegam a ficar dois anos internadas, sem poderem sair ou sequer ir à escola.

Não só os internamentos são desadequados para estas crianças e jovens, como “a ocupação indevida destes recursos compromete a admissão de menores em crise”, refere a presidente do colégio da especialidade da Ordem dos Médicos, ao jornal. Uma advogada especialista em família e menores que já foi chamada pela Ordem dos Advogados para se pronunciar sobre estes casos também considera que a resposta é “lesiva” para os menores e “ilegal”.

O Conselho de Administração da ULS São José, a que pertence o Hospital Dona Estefânia, em Lisboa, terá denunciado há mais de um ano a situação, que considera ilegal, a várias entidades, incluindo à Provedoria de Justiça, à Procuradoria-Geral da República, aos Ministérios da Saúde e da Justiça, ao Conselho Superior da Magistratura, à Ordem dos Advogados e à Comissão Nacional de Promoção dos Direitos e Proteção das Crianças e Jovens.