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(A) :: "Tornei-me inútil em casa". Harry admite depressão após mudança para o Canadá e EUA e 20 anos sem chorar a morte de Diana

"Tornei-me inútil em casa". Harry admite depressão após mudança para o Canadá e EUA e 20 anos sem chorar a morte de Diana

O duque de Sussex falou sobre a queda emocional após deixar o Reino Unido em 2019, o luto reprimido pela mãe e a decisão pessoal de nunca se afastar da família mais de dez dias.

Larissa Faria
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O príncipe Harry admitiu ter entrado em depressão após deixar o Reino Unido com a sua família em 2019. O filho de Diana disse que as duas semanas em que esteve no Canadá antes da mudança para os Estados Unidos causaram uma “queda brusca de adrenalina” que “nunca havia sentido antes”.

“Estar no Canadá, longe do ambiente de stresse onde presumivelmente o meu corpo estava cheio de adrenalina, em dois ou três dias experienciei este ‘choque’ de adrenalina, algo que nunca havia sentido antes“, disse.

As revelações do duque de Sussex esta quinta-feira, noticiadas pela BBC foram feitas no início do verão deste ano, quando ainda estava a viver na Califórnia (EUA). Harry falou a convite da plataforma paga de streaming Masterclass, participando num episódio intitulado “Redefinindo o luto: construindo resiliência através da perda”. A assinatura dos episódios custa entre 120 e 228 libras esterlinas (cerca de 140 a 270 euros) por ano.

“Era como se precisasse de stresse para obter a adrenalina necessária para o meu cérebro funcionar, porque me tornei inútil em casa. Na verdade, entrei em depressão durante cerca de duas semanas e senti que não conseguia funcionar sem adrenalina”.

Harry disse ainda ter um acordo consigo próprio de nunca ficar distante da sua família por mais de dez dias, recordando ainda como foi a perda da sua mãe e o período em que serviu como membro do Exército no Afeganistão. O príncipe disse ter-se sentido “emocionalmente anestesiado” com a morte de Diana, por considerar-se “desleal e culpado pela possibilidade de ser feliz e alegre” sem ela. Harry acompanhou toda a procissão do funeral de Diana, que morreu num acidente de carro, mas confessou não ter chorado naquele dia nem nos vinte anos seguintes.

“Estava convencido de que isso era força, mas não era. Era um rapaz de 12 anos sem permissão para se ir abaixo e sem um guia para curar a dor. Pensar-se-ia que eu tinha a melhor ajuda do mundo. Sou um príncipe, mas continuava em luto e não tinha onde colocar esses sentimentos”, disse.

A “força” a que se refere, no entanto, teve efeito contrário, causando-lhe angústia ao longo dos anos. “Sentia que tinha de estar triste e que tinha de estar emocionalmente anestesiado para lhe provar que tinha saudades dela”, disse à neurocientista Mary-Frances O’Connor, que participava na gravação. Por fim, por estar distraído com as funções militares, acabou por “esquecer-se” temporariamente do “riso e da cara” de Diana, numa forma de “fugir” dos próprios sentimentos. “Achei que conseguiria, mas não foi isso que aconteceu”.

Em agosto, os duques de Sussex anunciaram que iriam deixar os Estados Unidos para viver novamente no Reino Unido. Harry e a esposa Meghan continuam sem participar nas decisões de Buckingham, mas têm constantemente expressado preocupação com o assédio público e mediático e com a segurança da sua família — que deixou de ser organizada pelo palácio desde que decidiram afastar-se das funções reais.