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Kiev em "modo de sobrevivência" antes do inverno: ataques russos cortam água, luz e metro na capital ucraniana

Klitschko alerta para crise de grande dimensão. Ataques intensificam-se, atingindo pontes, rede energética e metro. Cidade prepara aquecimento de emergência e reservas.

Agência Lusa
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A campanha de ataques russos contra pontes e infraestruturas estratégicas da capital ucraniana nas últimas semanas fez com que Kiev entrasse em “modo de sobrevivência” com o aproximar do inverno, afirmou esta quinta-feira o autarca da cidade.

“Todos os dias trazem novas informações sobre edifícios destruídos e pessoas feridas ou tragicamente mortas. Os bombardeamentos contra a nossa cidade estão a intensificar-se. Hoje, a questão é a sobrevivência”, afirmou Vitali Klitschko em declarações à agência noticiosa France-Presse (AFP).

Moscovo intensificou nas últimas semanas os bombardeamentos contra as infraestruturas de Kiev, atingindo por vezes o centro da cidade, de dia e de noite, com recurso a mísseis e drones a jato.

Em setembro, os ataques russos atingiram a rede energética, já fortemente danificada no inverno passado por bombardeamentos que deixaram milhões de habitações sem aquecimento e eletricidade sob temperaturas extremamente baixas.

Os últimos ataques provocaram cortes de água e eletricidade, bem como cortes de emergência no fornecimento de energia na capital, onde jornalistas da AFP constataram que alguns estabelecimentos comerciais recorreram a geradores.

“A crise [relativa à distribuição de água] poderá ser de grande dimensão. Infelizmente, já começaram cortes temporários de eletricidade em alguns bairros”, referiu Klitschko na entrevista à AFP.

Para fazer face a eventuais perturbações prolongadas neste inverno, Kiev está a instalar sistemas de aquecimento de emergência e a constituir reservas de combustível, alimentos e água potável, garantiu.

“Por muito que nos preparemos, se a defesa antiaérea não funcionar, poderemos deparar-nos com um cenário negativo”, afirmou Klitschko.

A Rússia também visou as pontes sobre o Dniepre em Kiev, pela primeira vez desde o início da invasão da Ucrânia em 2022, provocando perturbações nas deslocações diárias dos habitantes que vivem ou trabalham em ambas as margens do rio.

“A ligação entre as duas margens é um dos fatores essenciais para o bom funcionamento da cidade”, considerou Klitschko à AFP.

Nesse sentido, acrescentou que a autarquia está a trabalhar em soluções alternativas que permitam atravessar o Dniepre, nomeadamente através de pontões flutuantes, para descongestionar o trânsito automóvel.

Enquanto a linha da frente permanece, na sua maioria, estática, Moscovo intensificou os ataques de longo alcance contra Kiev, recorrendo nomeadamente a mísseis balísticos e drones a jato difíceis de intercetar.

Algumas horas depois da entrevista à AFP, a autarquia anunciou a suspensão da circulação do metro devido a dificuldades na rede elétrica, também na sequência dos ataques russos contra a infraestrutura energética da cidade, indicou a edilidade na rede social Telegram.

“Devido a uma quebra de tensão proveniente das centrais externas de abastecimento de energia, a circulação dos comboios e o funcionamento das escadas rolantes no metro foram temporariamente suspensos”, informou a administração municipal na rede social Telegram.