A estreia absoluta de “Menos”, de Cão Solteiro & André Godinho, no Teatro D. Maria II, peça de despedida da companhia, que encerra 29 anos de atividade, abre a 13 de novembro no Alkantara Festival, anunciou esta quinta-feira a organização.
A nova criação, apresentada na Sala Garrett, reúne criadores, intérpretes, técnicos e toda a equipa da companhia num movimento contínuo que termina com o esvaziamento total da cena, marcando o arranque da edição de 2026 do Festival Internacional de Artes Performativas, que decorre até 29 de novembro, em Lisboa.
No mesmo dia, o Teatro do Bairro Alto recebe Jaha Koo com “Haribo Kimchi”, espetáculo de teatro em que, segundo a organização, humor, absurdo e melancolia abordam o tema da pertença.
O mesmo espaço acolhe posteriormente “Cadências crioulas, dez mil vezes desdobradas”, de Inés Sybille Vooduness e Malvin Puerca de Goma, que cruza som, movimento e vibração entre ritual, celebração e sobrevivência.
Ao longo de 17 dias, o Alkantara apresentará mais de uma quinzena de espetáculos de dança, teatro e performance, entre estreias mundiais e nacionais, além de conversas, oficinas, masterclasses, conferências, encontros e programação pós-espetáculo.
Entre as propostas desta edição está “Please, Love Me!”, de Cleo Diára, a sua primeira criação em nome individual para teatro, depois de ter recebido o prémio de Melhor Atriz no Festival de Cannes em 2025.
A peça aborda o amor e a condição de uma mulher negra cabo-verdiana num mundo patriarcal.
Nas estreias mundiais, o festival apresenta “Shikama”, de Dorothée Munyaneza & Companhia, no Centro de Arte Moderna Gulbenkian, espetáculo em que três pessoas e um violoncelo procuram criar raízes num contexto marcado pela turbulência do mundo e pelos abalos da vida.
Também em estreia mundial, “Espiões – Apocalypse How”, projeto coreográfico de Filipa Francisco que atravessa quase três décadas, chega à sua terceira edição com direção artística de Sónia Baptista, nos Jardins do Bombarda – Sala Estúdio Valentim de Barros.
Quanto às estreias nacionais, Muna Mussie apresenta “Cinema Impero”, no Museu Nacional de Arte Contemporânea, uma performance com imagens de arquivo, concebida para um espectador de cada vez ou para grupos, cujo título remete para o cinema construído pelo regime fascista italiano nos anos 1930, em Asmara, na Eritreia.
No Centro Cultural de Belém, Bilal El Had apresentará o solo “Ch’ttahh”, dedicado ao Chaabi marroquino, a primeira forma de dança com que o bailarino se cruzou, que, segundo a organização, pode transpor ou quebrar regras sociais, preservando simultaneamente memória cultural e abrindo espaço para imaginar futuros possíveis.
Pela primeira vez em Portugal será apresentado “The Brotherhood”, segundo capítulo da “Trilogia Cadela Força”, de Carolina Bianchi Y Cara de Cavalo, e “Mali Futuro Live”, parceria entre Rimini Protokoll, Théâtre Vidy-Lausanne e Les Praticables, na Culturgest.
O programa inclui ainda “Save the Last Dance for Me”, de Alessandro Sciarroni, no Centro Cultural de Belém, “Quando vi o mar”, de Ali Chahrour, no Teatro Nacional D. Maria II, e “Dzudza”, de Idio Chichava, na Fundação Calouste Gulbenkian.
O Centro Cultural de Belém acolherá “Este Mundo”, de Dançando com a Diferença & Bouchra Ouizguen, enquanto ao Centro de Arte Moderna Gulbenkian chega “Coisa-Ponta”, de Ana Rita Teodoro & Márcia Lança.
No Museu de Arte, Arquitetura e Tecnologia, “Prato Feito Repara” junta Tita Maravilha e Vânia Doutel Vaz, que apresentam, cada uma, uma performance em diálogo com obras da exposição “Turn around. Um olhar sobre a Coleção de Arte Fundação EDP”.
A abertura do festival inclui ainda “A Vida é uma Fruta na Boca do Sol”, festa-performance do coletivo MeioFio, no espaço DISASTER.
Após os espetáculos, o Alkantara promove conversas sobre processos criativos e temas abordados nas obras, com Dorothée Munyaneza, Bilal El Had, Sónia Baptista e Ali Chahrour, em diálogo com artistas locais e com participação aberta ao público.
Também estão previstas oficinas gratuitas, mediante inscrição, orientadas por Ali Chahrour, Idio Chichava e Inés Sybille Vooduness, no Espaço Alkantara, e uma masterclass dirigida a profissionais e estudantes das artes performativas, conduzida por Stefan Kaegi, da companhia Rimini Protokoll, na Culturgest.
O programa estende-se ainda para lá dos espetáculos, com oito noites de programação no Ponto de Encontro, na Casa Independente, com curadoria de DIDI, que propõe karaoke, DJ sets, performances e momentos de convívio com comunidades Drag e Ballroom.
Segundo o codiretor artístico David Cabecinha, citado no comunicado de apresentação do festival, que também conta com a codireção artística de Carla Nobre Sousa, a edição de 2026 é marcada por “ideias de fim e de recomeços”, entre coisas a preservar e outras que a organização gostaria de ver diferentes.
O festival regressa, segundo David Cabecinha, pela “urgência de dar forma ao que inquieta e ao que entusiasma” e pelo “desejo de dançar, de imaginar e de estar com outras pessoas”.
“Em cada espetáculo encontramos gestos, danças, imagens, histórias ou canções que trazem inquietações e desejos”, afirma ainda David Cabecinha, defendendo a importância de reunir artistas e público “para pensar o presente em conjunto, enquanto se vivem diferentes espaços da cidade”.
Estrutura financiada pela República Portuguesa, através do Ministério da Cultura, da Juventude e do Desporto, da Direção-Geral das Artes e da Câmara Municipal de Lisboa, o Festival Internacional de Artes Performativas é coproduzido por instituições culturais de Lisboa, como o Centro Cultural de Belém, a Culturgest, a Fundação Gulbenkian, o Teatro do Bairro Alto, e o Teatro Nacional D. Maria II.