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Samuel Úria, Sean Riley e Paus na antiga fábrica de papel do festival Ovar Expande

Evento de entrada gratuita terá como palco a Escola de Artes e Ofícios, que em tempos funcionou como fábrica de papel. Programa vai contar com oito concertos, oficinas e sessões de formação.

Agência Lusa
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Samuel Úria e Os 12 ao todo, Sean Riley & The Slowriders, Ezequiel e Paus protagonizam a edição de 2026 do festival Ovar Expande, que vai decorrer de 15 a 17 de outubro nessa cidade do distrito de Aveiro.

Organizado pela Câmara Municipal de Ovar e tendo como sala de concertos a Escola de Artes e Ofícios, o evento de entrada paga integra ainda outras propostas, como oficinas artísticas nas escolas e sessões de formação para músicos e mais profissionais do universo do espetáculo.

Para Domingos Silva, presidente da autarquia, o Ovar Expande distingue-se, contudo, por ter como palco principal a Escola de Artes e Ofícios, “um espaço inusitado, vibrante e inspirador de afirmação, criação e diálogo” — e que em tempos funcionou como fábrica de papel.

“O segredo é pôr o público ao centro, criando uma experiência de proximidade que lhe permita não apenas assistir, mas envolver-se com o que acontece e com o próprio espaço”, explica o autarca social-democrata. “Já podemos ter assistido a um concerto mil vezes, mas neste lugar será sempre diferente”, defende.

Dos oito espetáculos anunciados, o Ovar Expande começa no dia 15 com o de Mafalda, que nele apresentará o seu álbum de estreia em nome próprio, Gosto Muito de Estar Aqui. Em 2019, quando tinha 17 anos, a artista já lançara o disco Changing Colours, mas fê-lo então sob o alter ego Mathilda e viu-o distinguido pela revista Blitz como um dos melhores álbuns portugueses do ano.

Na mesma noite também há o concerto em que Samuel Úria e Os 12 ao Todo pretendem explorar a palavra e os seus recursos estilísticos. Diz a organização do festival que, “neste renovado formato de apresentação”, o artista convidou o referido coletivo vocal e coral para com ele “tomar a Palavra, a Voz e as Vozes como protagonistas, procurando potenciar a perceção da palavra e o efeito da mensagem” junto do público.

No dia seguinte, o foco reparte-se entre Ray, Homem em Catarse e Sean Riley & The Slowriders. O primeiro vai apresentar o seu álbum Buffalo, depois de em 2025 ter visto o tema Only Light distinguido pela Sociedade Portuguesa de Autores como Melhor Música do Ano. Agora, “sozinho em palco, apenas com a guitarra acústica, dará a conhecer um trabalho profundo e íntimo que reflete sobre a morte, o amor, o quotidiano, a reinvenção e a inquietação perante o mundo”.

Homem em Catarse, por sua vez, revelará o trabalho do multi-instrumentista Afonso Dorido, que a organização do Ovar Expande descreve como “um caldeirão sonoro de folk, shoegaze, pós-fado ou até world music”, abrangendo “do instrumental às canções de intervenção, das paisagens sonoras às mensagens mais ou menos implícitas, das viagens planantes a refrões concisos e objetivos”.

Já quanto à banda de Sean Riley, que é apontada como “uma das mais marcantes do panorama musical português” e cujo vocalista é descrito como “um cantautor de maturidade invulgar, apostando na simplicidade das letras e na força da composição como eixo central do seu trabalho”, o concerto promete “sonoridades etéreas e envolventes, sustentadas por guitarras acústicas, arranjos cuidados e uma abordagem contida”.

O sábado, dia 17, está reservado para Rita Cortezão, Ezequiel e Paus. Ela, “cantautora luminosa e de uma sinceridade rara”, começará por levar ao palco piano, teclados e elementos eletrónicos para com eles abordar “as inquietudes da modernidade, o desassossego de quem sonha crescer para além da monotonia, as incertezas em relação ao futuro e o luto por alguém que se amou profundamente”.

Já o artista local Ezequiel apresentará “um projeto de música a solo, exclusivamente, instrumental”, resultante da sua prática de “coletor de tendências e sonoridades tradicionais” que, recolhidas em diferentes geografias, aplica depois numa base essencialmente de folk e country – marcada em especial pela guitarra lap steel Weissenborn, típica do Havai.

O Ovar Expande termina então com Paus, que a direção do evento diz ser uma “banda incontornável, em digressão de despedida”. Entre “o rock, a experimentação sónica e os ritmos e claves que definem um Portugal diverso e em evolução”, o espetáculo terá por base o disco Enterro, que tem vindo a ser apresentado como uma “marcha fúnebre de um ano numa última tour nacional e internacional”. Por isso mesmo, os organizadores do festival deixam o apelo: “Tragam flores. Não sabemos se é apenas uma morte anunciada ou o terminar de uma obra sem grandes paralelos, mas sabemos que é assim que os Paus vão escrever o seu fim”.