O projeto de conservação e restauro do túmulo de D. Dinis, e os resultados do estudo realizado ao espólio encontrado estão na base do congresso que esta quinta-feira tem início no Mosteiro de Odivelas, no distrito de Lisboa.
A decorrer até sexta-feira, o Congresso Internacional sobre D. Dinis, organizado pela Câmara Municipal de Odivelas com o instituto público Património Cultural e a entidade pública empresarial Museus e Monumentos de Portugal (MMP), conta com a participação de investigadores de diferentes áreas disciplinares, da arqueologia e antropologia à entomologia, à história da arte e à conservação e restauro, provenientes de entidades académicas e científicas de Portugal, Espanha e Reino Unido.
Segundo o instituto Património Cultural, o congresso tem por objetivo promover “um debate aprofundado” a partir da investigação multidisciplinar a que o túmulo e os vestígios encontrados foram sujeitos, constituindo “uma fonte profícua de informação histórica e científica”.
O congresso mobiliza investigadores das universidades de Coimbra, Girona, Lisboa e Leicester, da Universidade Nova de Lisboa, da Universidade John Moores, de Liverpool, da Universidade Autónoma de Barcelona, do Laboratório José de Figueiredo e de diferentes estruturas do Património Nacional de Espanha, da Armaria às Coleções Reais do Palácio Real de Madrid.
O programa, dividido em cinco painéis, além de abordar D. Dinis e o seu tempo, estende-se a outros casos de estudo, como a pesquisa antropológica e forense de Pedro III de Aragão (Espanha) e a investigação que levou à identificação dos restos mortais de Ricardo III (Reino Unido).
“Estes exemplos enquadram a investigação sobre D. Dinis num movimento internacional de valorização dos restos materiais das figuras históricas ligadas ao poder real e de aplicação de metodologias científicas à interpretação do património”, adianta o instituto Património Cultural, em comunicado.
O Projeto de Conservação e Restauro do Túmulo de D. Dinis, no Mosteiro de Odivelas, foi lançado em 2016, por iniciativa da antiga Direção-Geral do Património Cultural, na base do atual instituto Património Cultural e da MMP, em parceria com a autarquia, recorda o instituto.
A arca tumular foi aberta em 2019 e levou à descoberta da espada do rei, de uma fivela em prata e de vários têxteis, num processo que abrangeu igualmente o túmulo do Infante, um dos netos de D. Dinis, também sepultado no mosteiro.
O túmulo do rei foi encerrado em 28 de junho de 2023, mas a análise dos materiais prosseguiu, destacando-se o estudo forense desenvolvido por uma equipa multidisciplinar, que contou com a participação do Laboratório de Arqueociências, do Património Cultural, e do Laboratório José de Figueiredo, da MMP, entre outras entidades.
Em 2025, foi revelada a reconstituição facial do monarca.
https://observador.pt/2025/01/03/programa-dos-700-anos-da-morte-de-d-dinis-abre-com-exibicao-do-rosto-do-rei-em-3d/
Em fevereiro deste ano, o espólio dos túmulos do rei e do infante foi classificado como tesouro nacional.
A fundamentação da proposta de classificação sublinhou “o elevado interesse patrimonial” deste espólio, definindo-o como “um conjunto sem precedentes histórico-artísticos, que demonstra valores de memória, de antiguidade, de autenticidade, de originalidade, de criatividade, de raridade e de singularidade”.
O decreto que estabeleceu a classificação realçou por seu lado “o caráter matricial dos bens, [o seu] interesse enquanto testemunhos notáveis de vivências ou factos históricos, o valor estético, técnico e material intrínseco, o interesse como testemunhos simbólicos e religiosos e a sua importância na perspetiva da investigação histórica e científica e o que nela se reflete do ponto de vista da memória coletiva, assim como as circunstâncias suscetíveis de provocarem diminuição ou perda da perenidade ou da integridade dos bens e a efetiva necessidade de proteção e valorização do conjunto”.
O Congresso Internacional sobre D. Dinis (1261-1325) insere-se nas iniciativas que assinalam os 700 anos da morte do monarca.