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(A) :: Operação Hermes. 39 detidos em Portugal numa fraude em carrossel ao IVA de mais de 150 milhões de euros

Operação Hermes. 39 detidos em Portugal numa fraude em carrossel ao IVA de mais de 150 milhões de euros

Investigação da Procuradoria Europeia abrangeu oito países e resultou em 62 detenções, estimando-se prejuízos superiores a 400 milhões de euros no espaço intracomunitário.

João Paulo Godinho
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A operação policial Hermes, desencadeada esta quarta-feira, resultou em 39 detenções em Portugal, num total de 62 detidos nos oito países abrangidos pela investigação da Procuradoria Europeia. Numa operação que contou também com a participação da Polícia Judiciária (PJ), da Autoridade Tributária (AT) e da Guarda Nacional Republicana (GNR), estima-se que possa estar em causa um prejuízo de pelo menos 410 milhões de euros em fraude ao IVA no espaço comunitário, com o Estado português a ser lesado em pelo menos 150 milhões de euros.

Segundo uma nota divulgada pela Procuradoria Europeia, a operação visou uma fraude ’em carrossel’ ao IVA pela venda de telemóveis e dispositivos eletrónicos, tendo sido lançadas mais de 300 buscas em Portugal, Espanha, Áustria, França, Alemanha, Itália, Malta e Países Baixos. Os restantes detidos foram registados somente em Espanha e Itália, com 20 e 3 detenções, respetivamente.

“As autoridades policiais também executaram mandados para apreender até 310 milhões de euros. Foram congeladas contas bancárias e participações em empresas e apreendidos bens imóveis e veículos, incluindo automóveis de luxo, bem como dinheiro e moedas de ouro, no valor de até 9 milhões de euros”, lê-se na nota divulgada.

https://observador.pt/2026/10/07/policia-judiciaria-centenas-de-inspetores-realizam-buscas-em-todo-o-pais-por-suspeitas-de-fraude-fiscal-de-cerca-de-100-milhoes-de-euros/

Terá sido criada uma “rede complexa de empresas intermediárias” em diversos países com vista a escapar às regras do IVA em transações no espaço da União Europeia.

“A investigação Hermes diz respeito a dois grupos criminosos distintos que colaboraram para maximizar os seus lucros ilícitos. São suspeitos de terem criado esquemas separados de fraude em cadeia, recorrendo às empresas, aos negócios e às mercadorias disponíveis uns dos outros. Alegadamente, também recorreram frequentemente às funções logísticas uns dos outros e canalizaram os lucros através das empresas uns dos outros no âmbito das suas atividades de branqueamento de capitais, tendo utilizado comunicações encriptadas para coordenar as suas ações”, acrescenta o comunicado da instituição europeia.

Já a PJ revelou que o esquema alegadamente criminoso “consistia em fazer circular as mercadorias através de uma cadeia fraudulenta de empresas e de ‘missing traders’, ou seja, empresas que desaparecem sem cumprir as respetivas obrigações fiscais”. Depois, outras empresas iriam ser integradas na operação para solicitar o reembolso do IVA.

O comunicado da PJ, cujas diligências foram desencadeadas a partir da Diretoria do Norte, refere também que a investigação da Procuradoria Europeia está repartida em dois inquéritos-crime a nível nacional, nos quais se estimam prejuízos de cerca de 125 milhões de euros numa das investigações e de 30 milhões de euros no outro caso.

Foram mobilizados cerca de 740 elementos de diversos departamentos da PJ, bem como 212 elementos da AT e 151 militares da GNR. Na operação estiveram ainda presentes 13 magistrados judiciais e sete Procuradores Europeus Delegados portugueses, contando igualmente com a colaboração da Europol.