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Rússia nega risco epidémico após morte em laboratório de peste na Sibéria e alivia medidas de quarentena

Mais de 90% dos contactos da funcionária foram monitorizados sem casos de doença infecciosa. OMS pede transparência e esclarece causa da pneumonia.

João Paulo Godinho
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As autoridades russas negaram esta quarta-feira qualquer risco epidémico na sequência da morte de uma técnica num laboratório russo especializado em peste, na Sibéria, e anunciaram o alívio de medidas preventivas de isolamento e quarentena que tinham sido decretadas.

“A vigilância médica de mais de 90% das pessoas que estiveram em contacto com a doente está concluída. Não foi detetado qualquer problema de saúde relacionado com uma doença infecciosa”, avançou o Rospotrebnadzor, a agência de saúde pública da Rússia, assegurando que “as medidas preventivas e antiepidémicas foram integralmente organizadas e não existem riscos epidemiológicos para a população de Irkutsk ou da região”.

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A tomada de posição da autoridade reguladora de saúde russa surge depois de a Organização Mundial da Saúde (OMS) ter apelado ao Kremlin para que proceda ao fornecimento total e transparente de informações sobre as circunstâncias em torno da morte da funcionária de 28 anos do Instituto de Investigação Anti-Peste de Irkutsk da Sibéria e Extremo Oriente.

O caso atingiu rapidamente proporções mundiais, com o próprio Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a reagir também à morte da funcionária do laboratório, declarando que deveria abordar o tema com o seu homólogo russo, Vladimir Putin, na quinta-feira. Contudo, segundo a BBC, o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, esclareceu que não havia qualquer conversa agendada entre os dois chefes de Estado.

De acordo com as autoridades russas, a morte de Darya Shipilova na passada sexta-feira ficou a dever-se a uma pneumonia de origem ainda indeterminada, embora tal tenha levado ao isolamento de cerca de 200 pessoas.

Em paralelo, o Kremlin apelou à população para confiar na autoridade de saúde pública nacional, sem deixar de notar que “a grande maioria” das informações que têm sido veiculadas sobre alegados casos de peste na Rússia é falsa ou infundada.

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As autoridades russas esclareceram também que a funcionária estava vacinada e “imune às infeções perigosas com as quais trabalhava“, mas sem adiantar mais explicações sobre a morte de Darya Shipilova.

“[A Rússia] informou-nos de que nenhum dos contactos apresentou sintomas”, afirmou Maria Van Kerkhove, diretora do departamento de epidemiologia da OMS, numa conferência de imprensa em Genebra esta quarta-feira, sublinhando que a instituição continua a tentar recolher “mais informações” sobre o que poderá ter motivado a morte da funcionária russa.

Já o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Gebreyesus, vincou também a importância da partilha de informação: “A OMS solicitou mais informações para esclarecer a causa da pneumonia grave, o agente patogénico que motivou as medidas de saúde pública e as notícias da comunicação social sobre um segundo funcionário com pneumonia de causa indeterminada. A partilha de informações atempada, completa e transparente, ao abrigo do Regulamento Sanitário Internacional, é essencial para esclarecer relatos contraditórios e permitir uma avaliação precisa dos potenciais riscos para a saúde pública.”

Segundo a OMS, a peste pneumónica caracteriza-se por um período de incubação curto — por vezes, de apenas 24 horas — e pode ser fatal, caso não seja diagnosticada e tratada atempadamente.

Entre os principais sintomas dos doentes destacam-se falta de ar e tosse, frequentemente acompanhadas de expectoração com sangue. A peste é causada por uma bactéria (Yersinia pestis), que é possível encontrar em roedores naquela região.

O Instituto de Investigação Anti-Peste de Irkutsk da Sibéria e Extremo Oriente foi fundado após um surto na década de 1920.