(c) 2023 am|dev

(A) :: Retrato do emprego nas grandes superfícies aponta para 155 mil trabalhadores, indica estudo

Retrato do emprego nas grandes superfícies aponta para 155 mil trabalhadores, indica estudo

Estudo baseado em dados fornecidos por 24 empresas associadas ao retalho conclui que um em cada sete trabalhadores em Portugal está empregado nesse setor, representando 14% do emprego total.

Agência Lusa
text

As grandes empresas de retalho empregavam em 2025 mais de 155 mil trabalhadores e reforçaram o investimento em formação e qualificação das pessoas de 25 milhões para 41 milhões de euros nos últimos cinco anos, segundo um estudo esta quarta-feira divulgado.

As conclusões são do estudo “O valor das nossas pessoas”, elaborado pela Forvis Mazars para a Associação Portuguesa de Empresas de Distribuição (APED), a partir de dados fornecidos por 24 empresas associadas que representam 72% dos empregos no retalho alimentar e não alimentar.

De acordo com a análise, um em cada sete trabalhadores em Portugal está empregado no setor do retalho, cujo peso no emprego total, que é de 14%, encontra-se alinhado com a média europeia.

No ano passado, 28% dos trabalhadores situavam-se na faixa etária dos 30 aos 39 anos e 24% tinham entre os 40 e os 49 anos. Em conjunto, estas duas faixas concentravam mais de metade da força de trabalho dos associados da APED.

Os trabalhadores de até 24 anos representavam 17% da força de trabalho nestas empresas, um valor que é superior ao da população empregada em Portugal, em que os jovens são cerca de 6% do total.

Cerca de 63% dos postos de trabalho nas empresas da APED eram ocupados por mulheres. Nos cargos de chefia, 53% eram também desempenhados por mulheres.

No período entre 2020 e 2025, os contratos sem termo nos associados da APED aumentaram de 80% para 85%, refletindo “uma maior estabilidade da estrutura contratual” dos profissionais.

No último ano, 47% dos empregados acumulavam mais de cinco anos de antiguidade, e 25% mais de 15 anos de permanência.

O segmento do retalho alimentar continuava a concentrar a maioria do emprego (68%), mas foi o retalho não alimentar que registou um ritmo de crescimento mais acelerado, tendo aumentado o seu peso de 28% para 32% entre 2021 e 2025.

Entre 2020 e 2025, a produtividade aparente do trabalho aumentou de 22,6 mil euros para 29,6 mil euros por trabalhador, correspondendo a um crescimento de cerca de 30%.

Em 2024, as diferenças remuneratórias entre mulheres e homens situaram-se entre 2,3% e 3,4%, consoante o segmento analisado, permanecendo abaixo do conjunto da economia portuguesa (10,8%).

A taxa de sindicalização nas empresas associadas é da ordem dos 7,1% e “mantém-se próxima da média nacional e superior à observada no setor do retalho, refletindo a presença de operadores de maior dimensão e com estruturas de representação coletiva mais consolidadas”, segundo indica o estudo.

O índice de frequência dos acidentes de trabalho nas lojas e estruturas centrais dos associados da APED aumentou de 19,3 em 2020 para 22,3 em 2025, sugerindo a necessidade “de reforçar as condições de segurança e prevenção de riscos”.

Já a taxa de absentismo aumentou de 10% em 2020 para 13% em 2025, com a doença a apresentar-se como a principal causa (38%) das ausências em 2025. As licenças de maternidade e paternidade representaram 20% do absentismo, enquanto os acidentes de trabalho foram responsáveis por entre 3% e 4% das faltas registadas.

O estudo da Forvis Mazars identifica ainda as tendências que estão a transformar o retalho, designadamente a digitalização da economia e a adoção da Inteligência Artificial (IA), a transição para modelos de negócio mais sustentáveis, alterações demográficas e evolução das expectativas dos consumidores face a novas referências de consumo através de plataformas digitais, redes sociais e criadores de conteúdos.

“Estas forças estão a transformar a forma como as organizações do setor operam, competem, inovam e respondem às necessidades dos consumidores e do mercado”, adianta o estudo, que recomenda a necessidade de requalificar os recursos humanos com novas competências digitais, sobretudo no domínio da análise de dados e da Inteligência Artificial (IA).

Entre os associados da APED, estão a Modelo Continente, Pingo Doce, Auchan, Mercadona, Ikea, Fnac Darty, grupo Brodheim e Norauto.