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Moçambique valida estratégia para acelerar acesso à internet e inclusão digital

Presidente do conselho de administração do Instituto de Comunicações defende "parceria nacional pela conectividade e inclusão digital", garantindo acesso e utilização dos serviços digitais no país.

Agência Lusa
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Moçambique quer acelerar a inclusão digital e garantir um acesso mais amplo e significativo à internet através da estratégia nacional “Internet para Todos”, cuja proposta está a ser validada pelo regulador das comunicações e parceiros do setor.

“Quando falamos de ‘Internet para Todos’, não estamos apenas a falar de aumentar o número de pessoas conectadas. Estamos a falar de garantir conectividade com qualidade, acessibilidade, competências digitais, segurança e utilização efetiva da Internet para melhorar a vida dos moçambicanos“, afirmou esta quarta-feira a presidente do conselho de administração do Instituto Nacional das Comunicações de Moçambique (INCM), Helena Fernandes, em Maputo.

A responsável discursava na sessão de apresentação e validação da proposta da Estratégia “Internet para Todos”, uma iniciativa que pretende orientar os esforços do Governo, operadores de telecomunicações, setor privado, academia e parceiros de desenvolvimento para expandir o acesso aos serviços digitais no país.

Segundo Helena Fernandes, apesar dos avanços registados nos últimos anos na expansão das redes de telecomunicações, continuam a existir obstáculos que impedem uma parte significativa da população de beneficiar plenamente das oportunidades da transformação digital.

“As diferenças entre as zonas urbanas e rurais, os custos de acesso, a disponibilidade de infraestruturas, a qualidade dos serviços, a cobertura das redes e as limitações em matéria de literacia e competências digitais continuam a impedir que uma parte da nossa população beneficie plenamente das oportunidades proporcionadas pela transformação digital”, afirmou.

Para a responsável, a universalização do acesso à Internet exige uma visão mais abrangente do que a simples expansão das redes: “Não basta levar a rede até às comunidades, é necessário garantir que as pessoas possam efetivamente utilizá-la e beneficiar dela”.

Fernandes defendeu ainda uma ação coordenada entre o regulador, operadores, Governo, academia, sociedade civil e parceiros de desenvolvimento para acelerar a inclusão digital.

“Nenhuma instituição ou setor conseguirá alcançar sozinho o objetivo de Internet para Todos”, reiterou, defendendo uma “verdadeira parceria nacional pela conectividade e inclusão digital”.

Durante a sessão, Sónia Jorge, diretora-executiva da Global Digital Inclusion Partnership – organização parceira do Governo moçambicano na elaboração da estratégia “Internet para Todos” -, explicou que o documento pretende funcionar como um roteiro nacional para alinhar os projetos já em curso e identificar novas intervenções necessárias para aumentar o acesso à Internet.

“O que o Governo quer é ter um plano de implementação claro para ver como é que estes projetos já estão a apoiar o desenvolvimento e o que é que mais têm de fazer para realmente chegarmos às metas que estamos a definir para esta iniciativa”, disse.

Segundo Sónia Jorge, embora existam iniciativas relevantes em curso, incluindo projetos apoiados pelo Fundo de Acesso e Serviço Universal, os esforços atuais permanecem insuficientes para atingir as ambições definidas pelo país. A responsável considerou que o maior desafio passa por transformar a conectividade em oportunidades concretas para os cidadãos nas áreas da educação, saúde, agricultura, negócios e acesso aos serviços públicos.

“O que é que temos de fazer para garantir que as pessoas têm acesso, que têm diferentes tipos de acesso, que têm as competências para poder fazer desse acesso realmente uma oportunidade para as suas vidas, para os seus negócios, para a informação que precisam para a sua saúde, para a educação dos seus filhos e para o desenvolvimento do país?”, questionou.

Segundo a especialista, a inclusão digital só será bem-sucedida se o acesso à Internet for acompanhado pela disponibilidade de equipamentos, competências digitais e serviços para os cidadãos.