Cinco obstetras e ginecologistas da Maternidade Alfredo da Costa (MAC) vão iniciar funções, a 1 de novembro, no serviço de ginecologia/obstetrícia do hospital de Vila Franca de Xira, avançou ao Observador a Unidade Local de Saúde do Estuário do Tejo. Um dos médicos já deixou a MAC e outros quatro vão fazê-lo até ao final de outubro. A mudança dos obstetras para Vila Franca de Xira foi coordenada pela Comissão de Acompanhamento da Resposta em Urgência de Ginecologia/Obstetrícia, confirmou ao Observador fonte próxima do processo.
O objetivo da mudança dos obstetras e ginecologistas (todos médicos experientes) para o hospital de Vila Franca de Xira é o de reconstruir o serviço de ginecologia/obstetrícia desta unidade hospitalar, que conta apenas com uma médica — a própria diretora de serviço.
O serviço ficou com várias valências comprometidas ao longo dos últimos anos por falta de médicos. A situação crítica a que chegou a ginecologia/obstetrícia de Vila Franca de Xira levou mesmo o Governo a fechar a urgência obstétrica, em abril, concentrando a urgência no hospital Beatriz Ângelo, em Loures.
https://observador.pt/2026/03/05/confirma-se-fecho-da-urgencia-de-ginecologia-obstetricia-de-vila-franca-de-xira-resposta-ficara-concentrada-no-hospital-de-loures/
No entanto, está ainda por esclarecer o impacto que a saída dos cinco médicos terá no funcionamento da MAC, a maior maternidade do SNS. Um dos cinco médicos em causa já saiu da MAC, enquanto outros dois apresentaram já a demissão e os restantes dois irão para o hospital de Vila Franca de Xira em regime de mobilidade interna, ou seja, mantendo o vínculo com a MAC, adianta a Unidade Local de Saúde de São José, que integra esta maternidade.
MAC tem 50 a 60 especialistas no quadro
Ao que o Observador apurou, um dos médicos que vai para o hospital de Vila Franca de Xira é o obstetra Bruno Carrilho, especialista nas áreas da ecografia e do diagnóstico pré-natal. Outra saída importante da MAC é a da ginecologista Patrícia Amaral, que se dedica sobretudo à área da cirurgia ginecológica.
O Observador questionou a Unidade Local de Saúde de São José, que integra a MAC, sobre o potencial impacto da saída dos obstetras no funcionamento da maternidade, mas não obteve resposta. A ULS esclarece apenas que a MAC conta com 50 a 60 médicos ginecologistas/obstetras no quadro, a que se somam os internos.
O total de especialistas que vai ingressar em novembro no hospital de Vila Franca de Xira é de seis. Isto porque, para além dos cinco médicos vindos da MAC, há ainda um sexto que foi contratado ao hospital de Évora, adianta a Unidade Local de Saúde do Estuário do Tejo. A ULS sublinha que “o reforço dos recursos humanos na área da obstetrícia/ginecologia tem sido um processo contínuo desde que o atual Conselho de Administração tomou posse, em novembro de 2025”, referindo que a reconstrução do serviço é essencial, perante a interrupção, que dura há mais de um ano, das cirurgias ginecológicas.
Hospital de Vila Franca de Xira quer fazer “renascer” serviço de ginecologia/obstetrícia
“No segundo semestre do ano passado, a atividade do serviço era praticamente residual, sendo disso exemplo a interrupção das cirurgias ginecológicas a partir de agosto. A reconstrução do serviço era essencial, para que a ULS cumprisse a sua missão de assistência às suas utentes, seja no acompanhamento de grávidas e na realização de partos programados, seja na realização de consultas, exames e cirurgias”, diz a ULS do Estuário do Tejo, explicando que, ao longo dos últimos meses, o Conselho de Administração tem vindo a recrutar alguns médicos prestadores de serviços em regime de trabalho parcial.
O objetivo das seis contratações a tempo inteiro agora confirmadas é “garantir que o hospital de Vila Franca de Xira volta a ter as consultas de ginecologia e obstetrícia e cirurgias”, sem necessidade de recorrer a prestadores de serviço, diz fonte conhecedora do processo, acrescentando que, a curto prazo, outro objetivo é também “reabrir a urgência”, que encerrou em abril.
https://observador.pt/2026/09/04/nove-chefes-de-equipa-da-urgencia-pediatrica-do-hospital-d-estefania-apresentam-demissao/
Ainda assim, a ULS não se compromete oficialmente com essa intenção. “Quanto à urgência regional, a sua implementação prevê a realização de um balanço ao fim de 12 meses, ou seja, em abril de 2027. A ULS Estuário do Tejo tem contribuído ativamente para o funcionamento dessa urgência, de acordo com o que foi definido, e considera que o balanço é positivo”, sublinha.
Contactado pelo Observador, o presidente da Comissão de Acompanhamento da Resposta em Urgência de Ginecologia/Obstetrícia, Diogo Ayres de Campos, defende que “é do interesse do país que o serviço de ginecologia/obstetrícia do hospital de Vila Franca de Xira possa renascer”.