(c) 2023 am|dev

(A) :: Aliado de Flávio Bolsonaro avisa STF: "Não temos vingança, mas o Senado não será omisso" perante crimes de juízes

Aliado de Flávio Bolsonaro avisa STF: "Não temos vingança, mas o Senado não será omisso" perante crimes de juízes

Rogério Marinho reuniu-se com o presidente do STF e deixou recado: um Senado liderado pelo PL não acobertará "crimes de responsabilidade" de juízes.

Agência Lusa
text

O coordenador da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro afirmou esta terça-feira que o seu grupo político “não tem vingança, mas não será omisso” em relação aos juízes do Supremo Tribunal Federal (STF) brasileiro em caso de vitória do candidato.

Rogério Marinho fez esta declaração após um encontro com o presidente do STF brasileiro, Edson Fachin, ocasião em que, segundo disse, tratou sobre “os excessos” de alguns juízes com “decisões monocráticas”.

O Partido Liberal (PL), de Flávio Bolsonaro, candidato presidencial, e Marinho, senador, conquistou nas eleições gerais a maioria das 81 cadeiras do Senado, e a partir de fevereiro de 2027 ocupará 28 assentos.

Tanto Flávio como os seus aliados fizeram campanha a defender ‘impeachment’ (destituição) de juízes do STF brasileiro no meio de uma crise institucional sem precedentes do tribunal.

Questionado pela Lusa durante a conferência de imprensa sobre como foi a conversa com Fachin e o que adiantou ao juiz sobre uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro, que teve mais votos na primeira volta do que Lula da Silva, que se recandidata, Marinho declarou que a campanha não tem espírito de retaliação.

“Nós viemos dizer também ao juiz, que nós vamos cumprir a Constituição e a lei. Que nós não temos espírito de vendeta [vingança]. Pelo contrário. Que nós queremos reconstruir o país, queremos normalizar a relação entre os poderes”, realçou.

“Queremos que a separação seja de facto. Não é possível que a sociedade tenha a perceção de que o [sistema] judiciário é uma extensão do governo. Isso faz mal à democracia brasileira (…) Nós queremos a imparcialidade, o respeito às instituições, às regras que são estabelecidas”, destacou.

Ao mesmo tempo, Rogério Marinho, apontado pelo Partido Liberal (PL) para ser candidato a presidente do Senado, nas eleições internas de fevereiro, sinalizou que este órgão, contido, não irá omitir-se sobre os excessos do STF e dos seus juízes.

“Mas, ao mesmo tempo, deixamos claro que, na hora em que houver algum crime de responsabilidade por um juiz do Supremo Tribunal Federal, o Senado não vai se omitir — e hoje ele tem se omitido. O Senado da República hoje, infelizmente, é omisso“, declarou.

“Vingança não significa omissão. Nós não temos ‘vendetta’ nem vingança. Agora, não haverá omissão. A Constituição é clara”, repetiu.

“Temos três poderes harmónicos e independentes entre si, mas não existe poder absoluto. E o crime, ou o indício de crime, cometido por quem quer que seja não pode ser acobertado pelo corporativismo”, concluiu.