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(A) :: Costa em risco de perder braço-direito em Bruxelas. Lourtie na calha para embaixador da UE junto das Nações Unidas

Costa em risco de perder braço-direito em Bruxelas. Lourtie na calha para embaixador da UE junto das Nações Unidas

Chefe de gabinete do presidente do Conselho Europeu deve agarrar oportunidade de se candidatar a chefe da delegação da UE junto das Nações Unidos. Costa perde o seu grande negociador em várias frentes

Rui Pedro Antunes
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António Costa está em risco de perder o seu chefe de gabinete e braço-direito em Bruxelas para a delegação europeia na ONU. Segundo avançou o Politico e confirmou o Observador junto de fontes europeias, Pedro Lourtie deverá candidatar-se a embaixador da União Europeia junto das Nações Unidas e tem fortes hipóteses de ser escolhido. Ao que o Observador apurou não existiu qualquer rutura entre Costa e Lourtie, uma vez que o presidente do Conselho Europeu compreende a saída por ser uma oportunidade única na carreira de um diplomata.

Pedro Lourtie tem um currículo que o coloca em boa posição para ser o chefe de delegação da UE junto da ONU, um dos mais ambicionados cargos de alto nível na diplomacia da União Europeia (a chefia da delegação da Arábia Saudita e o vice-chefe da delegação na China também estão em aberto): foi representante permanente junto da União Europeia em Bruxelas entre 2022 e 2024, chefe de gabinete de um primeiro-ministro (José Sócrates) e secretário de Estado dos Assuntos Europeus. Além disso, tem sido chefe de gabinete do presidente do Conselho Europeu, António Costa, desde 2024.

Na verdade, um português já chefiou outra delegação de alto nível, em circunstâncias muito parecidas. João Vale de Almeida foi chefe de gabinete do presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, e transitou desse lugar para chefe da delegação da UE junto dos Estados Unidos da América.

O atual chefe de gabinete de António Costa, sabe o Observador, cumprirá sempre todo o primeiro mandato de Costa (que termina em maio de 2027), uma vez que o novo cargo só começa em setembro. Ainda assim, Lourtie vai ser uma baixa de peso para António Costa num eventual segundo mandato, já que é por ele que passa muita da coordenação do presidente do Conselho Europeu quer com os chefes de Governo, quer também com outros líderes europeus. Se o entendimento entre o antecessor de Costa, Charles Michel, e Ursula Von der Leyen nunca foi o melhor — com sucessivos atropelos e medição de forças em jogadas de bastidores — Lourtie tem conseguido uma coordenação total entre Ursula e Costa — que tem contribuído para uma maior harmonia entre a Comissão e o Conselho.

O chefe de gabinete de Costa esteve também envolvido numa polémica recente noticiada também pelo Politico, pela tentativa de criar uma espécie de telefone vermelho entre Bruxelas e Moscovo. Numa altura em que se discutia que a Europa devia retomar o diálogo com a Rússia, António Costa deu luz verde a Lourtie para estabelecer dois contactos telefónicos com Yuri Ushakov, principal conselheiro internacional de Putin. Costa depois foi forçado a esclarecer que não houve negociações nesses telefonemas e que os mesmos tinham apenas como objetivo a preparação de um futuro canal diplomático. Ainda assim, houve desconforto de alguns líderes europeus, que terão ficado irritados por não terem sido previamente consultados por aqueles contactos.

Pedro Lourtie teve ainda um papel fundamental no processo que conduziu à eleição de Costa como presidente do Conselho Europeu, que obrigou a fortes negociações e a uma boa dose de sorte já que é preciso que os astros se alinhem para chegar a um top job da União Europeia.

https://observador.pt/especiais/telegramas-traducoes-e-o-processo-explicado-a-lideres-europeus-por-montenegro-e-marcelo-os-bastidores-da-nomeacao-de-costa/

Os jornalistas do Observador viajaram a Estrasburgo a convite do Parlamento Europeu